Faz um ano e porrada que a Netflix lançou a primeira temporada da série live action “Altered Carbon” (confira a crítica aqui), apresentando um mundo cyberpunk centenas de ano no futuro no qual a morte praticamente foi abolida com a criação dos chamados cartuchos, uma espécie de pen drive que todo mundo tem na nuca e onde nossa consciência fica armazenada, de modo que, se nosso corpo morre, podemos simplesmente arrumar uma nova “capa” e viver nela a partir de então. Em linhas gerais, é isso e, em linhas gerais também, não tem mais absolutamente nada que você precisa saber para poder curtir esse anime. O que você precisa saber mesmo é que, assim como a série, este anime pega um mundo riquíssimo, basicamente caga para ele e entrega tão somente uma produção com muita, mas MUITA ação mesmo. Encarando a obra dessa forma e esquecendo tudo aquilo que ela poderia ter sido ao explorar as nuances filosóficas que este mundo tem a oferecer, o espectador vai se divertir bastante com as lutas inventivas e o festival de sangue espirrando pra tudo quanto é lado.

Aqui, o herói da franquia, Takeshi Kovacs, é reencapado (daí a tal nova capa do título) em um outro mundo a mando do chefão da Yakuza Tanaseda – que tem um papel importantíssimo na 2a temporada da série live action – para proteger uma menina às voltas com um sindicato criminoso do tal planeta chamado Latimer. E é isso. Todo o resto se resume a muita gente caindo ferozmente na porrada, com sangue para um caralho jorrando pra todo canto. O roteiro existe apenas como um artifício para toda a ação e ele não tem pudor algum quanto a isso.

Felizmente, toda a falta de atenção ao roteiro não se repete na direção de arte. Temos aqui uma obra cyberpunk samuraica, aliando tecnologias inimagináveis com uma estética de Japão feudal que funciona muito bem visualmente. Todo o visual do longa é realmente belíssimo e contribui demais pra que Altered Carbon: Nova Capa tenha sucesso enquanto uma animação de ação totalmente desavergonhada.

Por falar em animação, à primeira vista eu sofri um baque imediato quando vi personagens em 3D se movimentando em uma estética que me remeteu demais à franquia de videogame “Borderlands”. Foi um incômodo que rapidamente passou, com cenas de ação que pareciam também de videogame porque pareciam ter os almejados 60 fps pelos gamers e não os 24 fps que uma obra cinematográfica costuma ter. Para um filme de ação no qual a estética é o que há de mais importante, isso funcionou bem e foi um acerto da equipe de produção.

No mais, apesar de somente arranhar a superfície de toda a mitologia da franquia iniciada pelos livros de Richard Morgan e deixar mais uma vez, tal qual o live action, aquela sensação de potencial desperdiçado para uma obra muito mais densa a la “Ghost in the Shell” por exemplo, Altered Carbon: Nova Capa cumpre com louvor aquilo a que se propõe, que é mostrar a porrada estancando e gente sendo fatiada impiedosamente, muito embora pudesse ter feito isso, com quase nenhuma alteração em sua narrativa, dentro da realidade de qualquer outro universo cinematográfico ou literário. Dito isso, se o espectador conseguir administrar suas expectativas, a diversão é praticamente garantida.

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