De 2012 até 2019 “JoJo’s Bizarre Adventure” foi uma constante nos círculos de discussão de animes shōnen, vulgo porradeiro, e não é para menos. Com uma proposta visual autoral, com fortes contrastes de cores, com personagens intensos e exóticos passando aventuras bizarras (como o próprio nome entrega), Jojo é um “must watch” caso você se rotule como um otaku. Aqui estou eu com esta dívida a ser paga e uma enorme preguiça de assistir seus 113 episódios. Contudo, eis que estreia na Netflix um spin-off com apenas 4 episódios e que, segundo meu raciocínio pragmático, serviria de teste drive para subir ou descer Jojo na minha lista de prioridade. Mas será que eu conseguiria aproveitar Assim Falava Kishibe Rohan chegando completamente virgem no anime?

Se eu tivesse assistido Jojo essa experiência teria sido muito melhor, sem sombra de dúvida. Dito isso, mesmo sem conhecer nada, foram 4 episódios magnéticos que prenderam minha atenção com contos independentes de terror (todos bem bizarros, claro). Esses episódios são contados em terceira pessoa de forma onisciente por Rohan Kishibe, um mangaká que relata suas experiências que o inspiram a escrever/desenhar, repletos de sangue, desmembramentos, espíritos, possessão e muita maluquice. Diversos personagens – todos retirados de Jojo – relacionados com Kishibe dão as caras com relações nitidamente pré-estabelecidas, mas que não pesam tanto no desenrolar das histórias e é aí que repousa a maravilha desse spin-off. Você nem precisa assisti-los na ordem tamanha a sua desconexão de um arco maior.

Esteticamente não há o que apontar de ruim. Contudo, tenha em mente que é uma proposta artística autoral e isso pode acabar afastando um ou outro que não aprecie o exagero das expressões e das animações. E, meu amigo, exagero é a palavra certa aqui. Tudo é demais, muito além da conta, com ênfases grotescas, closes, trilha sonora, interpretação, enquadramentos que têm tudo para serem cômicos, mas que sustentam o oposto. De fato, em diversos momentos eu me senti vendo alguma antologia de terror. Talvez, caso esse seja seu anime de entrada no mundo otaku, a sua falta de experiência com shōnens te deixe perdido em algumas situações, como nos golpes especiais que Kishibe usa eventualmente, mas nada que afete negativamente a narrativa ou tire muito sua imersão.

E assim eu saí desses 4 episódios, colocando “JoJo’s Bizarre Adventure” como próximo grande anime que eu começarei.

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