Caso você seja daquelas pessoas que amam séries policiais/criminais, esse é o seu final de semana para curtir o sofá de casa assistindo a NETFLIX. Além da estreia da série alemã “Cães de Berlim”, tivemos a disponibilização da 1a temporada de Bad Blood no Brasil. Seguindo a mesma linha de “Warrior – A Batalha de Todos os Dias“, série dinamarquesa recentemente lançada, temos a apresentação do submundo do crime em uma cidade num país muito desenvolvido socialmente.

Embora Bad Blood tenha alguns diferenciais em relação à “Warrior” quanto à sua plausibilidade, sou obrigado a fazer um pequeno adendo. Talvez você, assim como eu, por morar em um país violento – em especial aqui no Rio de Janeiro – já esteja dessensibilizado e acostumado com as mazelas sociais que afligem nosso dia-a-dia. Então fica um tanto difícil entender a urgência ou achar hediondo os atos que são tão corriqueiros – e não se engane, eles de fato são – em nossas ruas ocorrendo, como por exemplo, em Copenhague, caso de “Warrior”.

Considerando que a série em questão se passa em Montreal, no Canadá, um dos lugares mais pacíficos do planeta, somos obrigados a suspender um pouco a nossa realidade e a tentar enxergar o ponto de vista de alguém que não tem que se preocupar em trancar sua porta ou andar usando celular na rua. Para efeitos de comparação, o país registra em média 600 homicídios ao ano numa população em torno de 36 milhões, enquanto o Brasil bate na casa dos 60 mil, com população perto dos 210 milhões. Isso sem considerar que o acesso às armas é mais facilitado lá do que aqui, pelo menos por enquanto.

Mas o que torna Bad Blood mais palatável é a sua localização, pertíssimo de grandes centros urbanos violentos nos EUA, tornando seus acontecimentos reconhecíveis e um tanto indistinguíveis daqueles que ocorrem em Nova Iorque, por exemplo. E por ser baseado em eventos reais, embora consideravelmente dramatizados, a construção de um roteiro mais pé no chão tornou a série mais crível e instigante de acompanhar.

Pra você que não sabe onde fica Montreal.

Toda a história é centrada na vida do famoso mafioso Vito Rizzuto (Anthony LaPaglia), típico italiano que preza a tradição, igreja, família e comida.  Acompanhamos desde do auge da máfia, com a relação entre haitianos, irlandeses, italianos e motoqueiros (isso é uma nacionalidade?), até o controle que os Rizzutos exercem sobre a prefeitura, polícia e setor de construção civil, exemplificando didaticamente porque chamamos isso de crime organizado.

Com diversos cortes de tempo e utilizando reportagens de arquivo, somos conduzidos por momentos importantes da história do submundo em Montreal, em especial na luta pelo poder entre os diversos sub-líderes (se assim posso chamá-los) criminosos, inclusive de outras cidades, e os esforços das autoridades para desmantelar um esquema que predominou por décadas naquela que já foi uma das principais cidades fornecedoras de drogas ilícitas para os EUA.

Com atuações bem sólidas, com destaque para a competição de ego entre Declan (Kim Coates), braço direito de Vito, e Nico (Brett Donahue), seu filho, conduzindo episódios sem criar uma barriguinha e demonstrando uma violência chocante e familiar, Bad Blood foi um verdadeiro agrado para o gênero criminal. Contudo, embora ela tenha momentos de ação e brutalidade, eles são escassos e espalhadas por muitas negociações, chantagens e tramoias, afinal, estamos falando de uma máfia que quer disponibilizar um produto e que utiliza o suborno como seu principal meio persuasivo e não um cartel que quer ter monopólio da região através da violência.

Com apenas 6 episódios em sua 1a temporada, Bad Blood é mais do que maratonável. Agora é esperar a NETFLIX distribuir a 2a temporada, já lançada no Canadá.

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