Aos poucos, os serviços de streaming estão consumindo o mundo. Iniciou com a Netflix, seguido, após algum tempo, pelo Amazon Prime Video. E, daqui a pouco, quase todo estúdio terá um serviço próprio, com produções originais, como já ocorre nas duas primeiras já consagradas. A nova minissérie da plataforma da Amazon é Belas Maldições, uma adaptação de um livro do já consagrado Neil Gaiman, que conta a história de um anjo, Aziraphale (Michael Sheen), e de um demônio, Crowley (David Tennant) que decidem se unir para impedir o Armageddon, trazido pelo anticristo, uma criança de onze anos de idade.

O roteiro, apesar do tema abordado, consegue ser leve de forma natural. O humor, as tiradas bíblicas, as referências a céu e  inferno estão fortemente presentes na estrutura e em seus personagens. Tudo é trazido para um universo relativamente recente e explora a vida de um anjo e um demônio convivendo com humanos e tentando agir de forma semelhante. Isso rende ótimas sacadas e piadas.

A série tem um problema relativo de ritmo. Em certos episódios somos deixados com um cliffhanger, e, no episódio seguinte, temos que enfrentar cenas acerca de algo não tão relevante, ou algo no passado, e isso quebra o entusiasmo, mas nada que realmente comprometa a narrativa. Além disso, temos alguns núcleos para acompanhar e, infelizmente, nem todos são dos mais prazerosos. O pior, ao meu ver, é a questão da bruxa e dos caçadores de bruxa, que interrompiam a narrativa principal de forma cansativa e desinteressante.

Aziraphale é adorável, Michael Sheen trouxe uma composição para o personagem que nos conforta, ele é cuidadoso e sensível, além da classe no modo de andar e falar. Enquanto o demônio de David Tennant tem carisma e se coloca no oposto do anjo, ele fala de forma mais deliberada, o seu andar é mais “grosseiro” e, de uma certa forma, mais descolado. Ambos carregam a história de forma muito agradável e ambos são muito bons em cena, por mim, poderiam interagir por muito mais tempo.

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito pelo caçador de bruxa Shadwell, interpretado por Michael Mckean, e, seu novo assistente, Newton Pulsifer, interpretado pelo comediante Jack Whitehall. Ambos seguem em um curso bem monótono da história, suas ações mal conseguem algum resultado. Sentia-me desinteressado quando chegava às partes deles. A melhor parte desse núcleo, e mesmo assim não é tão boa, é a bruxa Anathema Device (Adria Arjona) que apresenta um mínimo de motivação ao ter em suas mãos profecias de uma antepassada sua.

Outros personagens ótimos são o arcanjo Gabriel, interpretado pelo maravilhoso Jon Hamm, em um papel de chefe exigente e bastante ocupado, mas com (quase) sempre simpatia e um sorriso no rosto, e os demônios que ficam na cola de Crowley, sempre exigindo dele tarefas e desconfiando do que está tramando.

Diante disso, Belas Maldições, é divertido e interessante, porém faltou alguma polida a mais para termos alguns personagens mais interessantes e desenvolvidos, além de trabalhar melhor a fluidez da minissérie. Infelizmente, esta é sua primeira e única temporada. Eu, particularmente, gostaria de ver o que mais esses dois ÓTIMOS protagonistas tem a oferecer.

PS.: Deus é ótima e Satanás é decepcionante. Isso não é uma piada…

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