Benji é um reboot de uma franquia dos anos 70-80 na qual um adorável cachorrinho vira-lata entra em aventuras da maneira mais encantadora possível. Confesso que ao assistir ao filme eu não fazia ideia que se tratava de uma versão atualizada, mas agora tudo faz sentido. Afinal, a atmosfera oldschool da narrativa e das atuações é notável. Entendo que se trata de uma espécie de ode vintage agora.

Na história, após se separar da mamãezinha, Benji vira um cachorro solitário nas ruas de Nova Orleans – e aí tem uma porrada de cenas feitas pra dar dó no coração. Em literalmente dois minutos de filme eu já tinha chorado. É sempre golpe baixo pra mim a história de cachorrinhos ou gatinhos, por mais superficial que seja a cena feita pra engatilhar emoção no telespectador.

Olha essa carinha…

Aí, como se não bastasse a cruel separação familiar mostrada, o cachorrinho encontra em Carter (Gabriel Bateman) seu melhor amigo. O moleque é vítima de bullying na escola e não tem nenhum amigo que não a própria irmã, Frankie (Darby Camp), até que percebe a presença de Benji num esconderijo ao lado de sua escola. Delicado, ele tenta ganhar a confiança do bichinho com morangos – e é bem sucedido. Porém, ao levâ-lo para casa, a mãe das crianças impede que o cachorro fique com eles. Aí toma mais cena de tristeza e peninha. Benji parte pra rua, sozinho novamente, cabisbaixo e esculachado. Na boa: que vacilo…

A história continuou me tocando pois tive um gatinho que resgatei ao lado da minha escola após algumas tentativas de atrai-lo para perto de mim também. E, por mais clichê que isso soe, eu me identificava com ele como se fosse meu melhor amigo, frente à solidão de não se encaixar num grupo social ou de não ser compreendida. Ainda bem que a minha mãe deixou ele ir pra casa comigo e ao meu lado ficou por 12 anos.

Um cachorríneo que adora moranguíneo.

Bem, daí pra frente como a sinopse anuncia, Benji salva os pirralhos após um inesperado sequestro. E é a partir daí que o filme começa a me irritar, salvando-se unicamente pela fofura do cachorrinho, e afundando-se pelo abuso dos roteiristas – que agora entendo que não poderia ser diferente, visto a proposta de manter a pegada das antigas. No entanto, ainda acho válido eu deixar claro que eles usam à exaustão a prosopopeia. Livrando o filme, ao menos, do ridículo que seria o cachorro FALAR, eles atribuem tantas mais características intelectuais humanas à ele. Não me entenda mal: eu tenho sim noção de que cães são inteligentes. Mas existe uma diferença entre colocar essa inteligencia organicamente ou forçosamente, configurando um descarado ctrl+ / ctrl+v de atitudes humanas nas atitudes do doguinho. Isso me encheu bastante o saco.

Fora isso, e se para você isso não é um problema, o filme é gracioso, segue uma fórmula que é certeira para o público infantil e palatável para o de mais idade. Um ponto positivo, mas que não muito posso desenvolver para não dar spoiler, é que,  tratando-se de um filme de cachorro, ele não apela pra um dos grandes clichês comuns ao gênero em seu final. Obrigada. Portanto, se você não se incomoda com animais humanizados (no sentido literal), vá em frente. É uma boa pedida pra proferir inúmeros “awwwwwwn”, “aiiiiii” e afins.

Awwwwwwwwwwn!

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