Em 2007, Will Ferrel e Adam McKay (o oscarizado diretor e roteirista de “Vice” e “A Grande Aposta”) fundaram o site Funny or Die junto com outras pessoas menos relevantes e, por isso, ignoradas aqui. A ideia era fazer um grande Saturday Night Live, mas que, por estar completamente livre de qualquer amarra de produção que uma série de TV tem, seria completamente despirocado, com esquetes sobre absolutamente qualquer coisa, por mais obtusa, suja, ofensiva e agressiva que pudesse ser.

Pouco tempo depois da criação do site, o ainda não famosíssimo comediante Zach Galifianakis começaria a estrela uma série de talk shows chamado “Between Two Ferns”, cuja tradução é, literalmente, “Entre Duas Samambaias”. Nele, o comediante, interpretando uma versão de si mesmo, entrevistava grandes celebridades (até Obama, quando ainda era presidente, foi entrevistado) com uma samambaia de cada lado da tela. Invariavelmente, sempre mantendo um rosto de total tranquilidade, ele faz perguntas descaradamente ofensivas aos seus entrevistados, quase sempre zoando algum acontecimento da vida deles ou esculachando a carreira. Tudo pra parecer um programa daqueles bem merdas que passavam na CNT na década de 90, com erros de grafia na tela e comerciais de produtos bizarros e/ou ofensivos aos entrevistados.

Com todo esse histórico, que sentido faria fazer um filme sobre um talk show? Nenhum! E é por isso mesmo que Between Two Ferns: O Filme funciona ao mesmo tempo que não funciona. Explico. O roteiro do também diretor Scott Aukerman funciona perfeitamente em todas as 12 vezes em que Zach se senta com alguma celebridade para fazer uma espécie de versão mais curta do programa. Todas elas, sem exceção, levam a mesma atmosfera abobalhada do programa pro filme e são, sem sombra de dúvida, a melhor parte do filme. Tão boas que conseguem, por si só, fazer o filme valer a pena.

Contudo, ao tentar costurar uma narrativa ao redor dessas 11 entrevistas, o roteiro e a direção fracassam retumbantemente, criando uma historinha meio água com açúcar de redenção/road trip que, não fosse pelos momentos de comédia nas entrevistas, não funcionaria em nível algum. Na verdades, o filme todo parece ser só uma grande desculpa pra que tenhamos 12 episódios curtíssimos de “Between Two Ferns” condensados dentro 82 minutos de exibição, com os erros de filmagem que rolam durante os créditos finais sendo uma das melhores coisas do filme.

A coisa aqui é toda bem simples. Durante uma entrevista com Matthew McConaughey – e as aparições de celebridades realmente enormes aqui são incontáveis -, Zach faz uma merda, quase provoca a morte do ator e faz com que o dono do Funny or Die, Will Ferrel, apareça pra lhe dar uma lição. Essa versão cheiradora e completamente transgressora de Will Ferrel então obriga Zach a fazer 10 episódios de “Between Two Ferns” em duas semanas. Caso ele consiga, Zach conseguirá seu maior sonho: um talk show de verdade numa televisão de verdade. Todo esse mise-en-scène, contudo, não faz a menor diferença. Não faz sentido que Ferrel queira punir o cara ao oferecer pra ele seu maior sonho. Algo como aquele rapazinho do pornô que tá batendo uma vendo a vizinha gostosa trocar de roupa e é punido tendo seu pau vigorosamente castigado pela vizinha e sua melhor amiga que acabara de chegar.

Dito isso, devo ressaltar aqui que os momentos de comédia, em especial os das entrevistas, são realmente bons. Se você for uma pessoa tão besta quanto eu, certamente você vai se divertir com esse humor nonsense que Zach Galifianakis traz a tudo que faz e, repito, não deixe de ver as cenas durante os créditos finais.

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