Quem me conhece sabe bem que quando assisti Big Mouth pela primeira vez, eu não tinha a idade apropriada (Nota do Editor: ela viu porque quis e com a autorização dos pais, não a mando do MetaFictions. Reclamem com Dona Ana Cristina e Seu Tadeu!). Depois, quando revi, ainda não tinha idade. A segunda temporada da série sobre a “verdadeira” puberdade e todas as loucuras que ocorrem nessa fase finalmente chegou e, sim, agora tenho idade pra ver (Nota do Editor: agora sim a mando do MetaFictions.). Só dizer que a animação voltou com o mesmo humor (e quantidade de sexo e masturbação) da primeira temporada é pouco para demonstrar o quanto a nova é boa, porque agora ela aborda outros assuntos muito importantes, partindo da questão do feminismo, mensagens de aceitação (tema destaque de um episódio) e vários outros, elevando sua qualidade.

O seriado animado mostra a vida de cinco adolescentes (sendo dois deles, Nick e Andrew, baseados nos criadores da série, os comediantes Nick Kroll e John Mulaney) e tudo o que eles sofrem, ou não, durante essa fase de transição e na companhia dos Monstros do Hormônios. Reencontramos personagens que nos conquistaram e somos introduzidos a novos, com papéis fundamentais na história, como o Monstro da Vergonha que serve de representação do arrependimento e titular vergonha. Quem já vivenciou isso sabe que não é fácil e ao ver cada situação absurda, geralmente bastante “imagética”, o telespectador pode pensar: “cara, eu com certeza passei por isso quando tinha essa idade!”. Mas quem ainda não passou só imagina a dureza que os aguarda.

A série retorna com aquele humor completamente sem noção, quebra da quarta parede, roteiro e animação muito bons e dublagem original. Nas palavras de Ryan Fields sobre a temporada anterior, excelente. Ninguém põe limites nas referências, desde homenagens claras a filmes como “Annie Hall” e “Corra!” a uma que talvez só os fãs de “Saturday Night Live” vão entender. As paródias à própria série e até à Netflix são realizadas de forma criativa e isso é apenas um oitavo do que ela tem a oferecer de entretenimento.

Além disso, também são discutidos temas seríssimos e de mesmo grau dos dois mencionados no início, seja de maneira sutil ou escrachada. Vemos críticas à objetificação da mulher, questionamentos sobre a figura paterna ideal, campanha de métodos contraceptivos, alertas sobre DSTs (aka conceito mais traumático das aulas de biologia) e questões relacionadas ao aborto. Este último foi bastante abordado num episódio, especialmente ao mencionarem a Planned Parenthood, uma organização centenária que oferece cuidados de saúde reprodutiva nos Estados Unidos. No geral, cada assunto levanta um debate interessante e de forma humorística, rendendo até números musicais.

Leitor, caso você seja menor de 16 anos, peça permissão para seus pais antes de assistir. Ver qualquer conteúdo escondido não é legal e as chances de ficar chocado ou “surpreendido” são bem grandes. Mas se eles liberarem, então, tudo bem!  Independentemente de ser por mera curiosidade ou para ter umas “aulinhas” de educação sexual (sério, alguns pais realmente fazem isso), você vai se divertir com essa tchurminha especial e ter alguns pesadelos de vez em quando.

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