Seguindo o filão das estreias de terror da Indonésia, a Netflix lança sua produção original, do mesmo diretor de “O Terceiro Olho” (resenhado por nós aqui), Rocky Soraya. Como o anterior – e como de costume – todos os aspectos do gênero estão presentes. Não tem como ser diferente. Bom, na verdade, tem como ser diferente mesmo usando os recursos de sempre. Dessa vez, Rocky volta a atacar com bonecas (visto que ele já tem dois filmes chamados “The Doll” e “The Doll 2”), espíritos e possessões. Mas se você parar para pensar, são as mesmas características do belíssimo “Annabelle 2” (resenhado por mim mesmo aqui). Acontece que, diferente deste, Soraya não faz nada diferente, nem de belíssimo; e, sim, se mantém no mesmo.

Vanya (muito bem pela pequenina Richelle Georgette Skornicki) é uma órfã de pai e mãe, que está sob os cuidados do tio e de sua mulher, que é uma estranha para ela, ainda. Com enormes saudades dos progenitores e sem saber lidar com a perda, a menina vislumbra uma possibilidade de reencontro. Na escola, o coleguinha Dytho brinca de “Charlie-Charlie” (de verdade, mesmo; não algo parecido) e a entidade invocada, em pleno pátio, é um zombeteiro qualquer que explana para todos os outros amiguinhos que ele mija na cama, gerando imediatamente o apelido de “Dytho Mijão!” (isso é brilhante demais!). Utilizando-se desse recurso, e sob orientação do the one and only “Dytho Mijão”, Vanya usa “Charlie-Charlie” para invocar a mãe. No entanto, esquecendo-se da regra muito bem lembrada pelo amigo molhador de cama, ela não fecha o portal da entidade, que permanece no mundo real. Sua ponte imediata é a boneca Sabrina, que o tio fabrica (uma boneca que, inexplicavelmente, vende horrores – inexplicavelmente porque ela é bisonha e eu não consigo conceber alguém comprando um artigo desses).

Eu queria mesmo era colocar uma foto do Dytho Mijão aqui.

A partir daí, a entidade – que certamente não é quem ela imaginava ser – começa a tocar o terror dentro da casa dos tios. Eles, então, são obrigado a chamar um casal de especialistas para tentar vencer o demônio solto e, ao longo de toda a história, a boneca (que leva o nome ao título original e ao traduzido) não tem mais qualquer serventia à narrativa, fora seu aspecto tenebroso e bizarro, que jamais geraria conforto em uma criança qualquer ao olhar para a sua cara. É só lá no terceiro ato que o roteirista deve ter se lembrado que o nome do filme era esse e deu um jeito de colocá-la de volta em foco.

O que se segue, durante o desenvolvimento das sequências, são as típicas cenas de possessão e tentativas de exorcismos. Apesar de não ser um ritual cristão – por se localizar na Indonésia, muito embora lá também tenha religiões cristãs – a ideia é a mesma e o demônio vai pulando de corpo em corpo, tentando confundir aqueles que querem mandá-lo de volta para o seu lugar. O problema é que o sinteco gelado não consegue muito bem se esconder entre um e outro, porque quem fica possuído por ele, automática e obrigatoriamente, é contemplado com um narigão para lá de generoso.

Na moral, tu compraria isso para alguém?!

A história busca soluções bastante condenáveis, sendo uma delas – bem próximo à conclusão – que incomoda absurdos e torna tudo tão pouco verossímil (e olha que nem tem a ver com o sobrenatural, onde qualquer coisa pode ser crível). Se o amigo leitor também experimentou de tamanho “WTF!” nesse momento, compartilhe conosco em seus comentários, que ficarei muito grato em discutir esse ponto específico ali (por aqui, tentamos evitar spoilers). Essa sopa de decisões contestáveis, boneca que não serve para nada, além de seu clima bizarro, demônio narigudo e uma luta carnal com o próprio fazem de Boneca Maldita um filme que, sem querer, agrega mais à comédia do que ao terror, apesar de um medo ou outro serem sentidos em algumas cenas.

Dá só uma olhada na nareba que “os cara fica”, parceiro!

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