Pouco mais de 4 décadas atrás, “Rocky” chegou aos cinemas com enorme sucesso e arrematou 3 Oscars de 10 categorias nas quais foi indicado em 1977. De lá para cá, foram 6 longas com o garanhão italiano protagonizando momentos icônicos do cinema e outros nem tanto assim. Poderia até colocar no mesmo saco o bom filme “Punhos de Sangue“, que conta a história verídica do lutador que inspirou Sylvester Stallone a escrever o roteiro de “Rocky”. Em 2015 a franquia ganhou outros contornos e tentou se reinventar com “Creed: Nascido para Lutar”, com Rocky agora assumindo um papel coadjuvante – que inclusive rendeu a Stallone sua 3a indicação ao Oscar – e tendo como estrela central o filho de seu maior rival/amigo, Adonis Johnson (Michael B. Jordan).

E caso você não tenha assistido ao filme, saiba que ele é possivelmente um dos melhores da franquia e lançou sobre uma história consagrada um olhar nostálgico, mas com identidade própria. Contudo, com o anúncio da sequência, Creed II, envolvendo o filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren), lutador soviético que matou Apollo Doutrinador no ringue (aliás, confira nosso Especial de Natal onde falamos sobre o filme), já fiquei com aquela impressão de que veria algo raso e que se valeria somente do legado construído num passado glorioso, como muitos filmes tipo Jurassic World da vida.

Infelizmente, de fato, estamos diante de uma obra com muito potencial, mas que tenta basicamente ser um remake de “Rocky 4“. Com uma premissa bem básica, vemos Viktor Drago (Florian Munteanu), treinado por seu pai, que, após perder a luta na URSS para Rocky, foi largado pela esposa e país, o que fez criar o filho na pobreza e edificá-lo no ódio, para cobrar dos porcos capitalistas o que lhes é de direito. Claro que Adonis, ao ser desafiado e indo contra o conselho do Rocky, topa o confronto, levando sua vida por meandros muito semelhantes ao do seu pai e mentor.

Creed II está sempre no limiar de ser algo original, mas nunca se entregando de fato. São raros momentos que fogem da dinâmica do longa no qual se baseia. Praticamente todos os personagens são um retorno direto ou indireto de alguém que testemunhou a morte de Apollo ou que contribuiu para a vitória de Rocky, até mesmo as circunstâncias da vida pessoal de Adonis são moldadas para se assemelhar às vividas por seu mentor e progenitor.

Disparado, o núcleo que foi o mais interessante de acompanhar, mesmo com pouco tempo de tela, foi o da família Drago. Ivan e Viktor seguem a mesma dinâmica de Paragas e Broly de Dragon Ball Super: Broly, com o garoto sendo criado apenas para recuperar o nome do pai através de uma vingança no ringue. Porém, não há um aprofundamento nas nuances de suas vidas pós derrota lá nos anos 80, com Viktor mal falando 10 frases durante todo o longa. Isso sem mencionar a ausência de Rocky, que passa muito discretamente e beira o esquecível, com raras cenas dele se remoendo de remorso a nível familiar e profissional.

O grande erro de Creed II foi fazer uma obra dedicada aos pais e não aos filhos, carecendo de identidade própria. Estamos em uma época diferente, a URSS se extinguiu, a Guerra Fria acabou e todo aquele contexto que engrandecia “Rocky 4” já não se aplica mais. A tentativa de recriar circunstâncias e cenas fizeram um desfavor a uma película que tinha tudo para dar continuidade ao novo ícone do boxe cinematográfico, mas agora Creed acusou o golpe… resta saber se devemos abrir contagem.

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