Em meio ao nostálgico momento que agora vivo, onde relembro a viagem que fiz há exato um ano para a Inglaterra e sinto falta do frio de cortar a pele, a série Derry cai como uma luva. A explicação é simples: apesar de não ter tido a felicidade de visitar a Irlanda, devido às condições climáticas intoleráveis para uma carioca, conheci uma boa galera irlandesa quando estive em Liverpool.

A inesquecível visita à um pub irlandês confirmou um bando de clichês. Conheci uma família irlandesa comemorando o aniversário do patriarca e os estereótipos de beberrões, dramáticos, intensos, amigáveis e brigões adoravelmente saltaram nos meus olhos. Não fosse essa maravilhosa experiência, possivelmente acharia a série Derry forçada; “ah, para, não é possível que seja assim”. No entanto, cenas da trama me soaram familiar e só reforçou a vontade em mim de visitar o país e pegar o inconfundível sotaque irlandês.

Apresento-lhes nossos protagonistas: James, Michelle, Erin, Orla e Clare

Derry é uma das principais cidades da Irlanda do Norte, país que ainda faz parte do Reino Unido, e vivia, nos anos 90, o extenso Conflito da Irlanda do Norte. Fomentado por divergências religiosas (católicos vs protestantes), mas que também se sustentava por diferenças político-ideológicas entre a Inglaterra e a Irlanda, a questão dividia a população e acirrava disputas nacionalistas entre as duas pátrias. É neste contexto que a história de cinco adolescentes comuns da região se desenrola; a rotina mundana de uma puberdade qualquer em paralelo ao ainda conturbado início dos anos 90 por ali.

Munido de humor inteligente e perspicaz, o diretor da série insere um personagem londrino no meio do grupo de adolescentes (chama alívio cômico), que garante boas risadas já que se torna um bode expiatório de toda a implicância irlandesa com qualquer menção à ingleses. Pobre James: o único menino em uma escola de freiras, taxado como gay e indisfarçavelmente inglês – que desgraça! As meninas carregam peculiaridades a serem descobertas ao longo da série, sem nunca deixar o exagero (por vezes irritante, mas no geral certeiro), a boca suja e a comédia do absurdo de lado.

Poor James!

Além do núcleo teen temos a família tradicional católica, composta por um sogrão escroto que não suporta o genro, que é um bundão; uma tia meio embalada a vácuo na cabeça; a matriarca que manda na porra toda e os filhos que ainda apanham de colher de pau. Não é possível que essa descrição familiar não desperte o mínimo de interesse e, na prática, risadinhas de canto de boca conforme as merdas vão acontecendo.

O ponto negativo da série é justamente acreditar muito confiantemente que o humor apoiado na forçação dará certo em todas as tentativas; por vezes torna-se um recurso cansativo e exageradamente usado. No mais, é uma produção que diverte e traz memórias da puberdade, de tempos que um pequeno problema parecia o fim do mundo e que testes e namoradinhos eram os grandes motivos de preocupação (cruzes). Palatável, bem contextualizado no período irlandês em questão e divertido.

O impagável Granda Joe esperando sua deixa pra esculachar com o genro.

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