Play no trailer. Pais de 3 filhos se colocam numa situação no qual precisam falar “sim” para absolutamente tudo (com pequenas ressalvas) que sua prole pedir durante o período de um dia, colocando o casal em situações muito doidas e divertidas. A primeira coisa que eu pensei foi: “Uau, aqui vamos para um versão do ‘Sim, Senhor’ do Jim Carrey, mas com atores sem carisma e com uma história rasa.” E sem surpresa alguma, foi exatamente isso que recebi… ou não?

Ser pai é a arte de saber dizer não. E embora eu não seja pai, dou essa cagada de regra com louvor por ocupar uma posição de autoridade – a de professor -, sendo responsável por 25 projetinhos de vida por vez a cada 50 minutos de aula. Um “não” é necessário para guiar quem não tem discernimento e experiência de vida. Fiquei imaginando fazer um dia do sim e só conseguia pensar na quantidade de merda que aconteceria. O número inacreditável de “nãos”,  “para” e olhares feios que lanço durante 1 ano em meus 200 alunos deve ser igual ao número de grãos de areia no planeta. Considerando isso e que eu não vivo com esses meninos, eu não consigo conceber por que alguém aceitaria se colocar numa situação dessas.

Contudo, a premissa está armada e embora eu tenha entrado no longa incrédulo com a proposta e balizado no filme do Jim Carrey, até que a experiência não foi de todo ruim e, guardadas as devidas proporções, até que muitos elementos foram originais. Posso dizer que, como comédia, a obra entretém, mas é necessário fazer bastante vista grossa caso você seja uma pessoa realista. Diversos momentos desafiam a lógica e o bom senso, mas elas tomam o tom pastelão educativo e acabam meio que não incomodando. Mesmo assim, a obra não apresenta muitos caminhos possíveis, sendo bem formulaica e já entregando o final nos seus 10 minutos iniciais.

Inesperadamente, algumas propostas foram muito felizes, como a necessidade de assumir posições castradoras que ninguém gosta, mas necessárias, ou mostrar que decisões imprudentes têm consequências que podem ser graves, ou mostrar que ao delegar responsabilidades tornamos mais cientes dos seus atos. E exatamente no momento que eu tava já ficando de saco cheio o filme acaba, mostrando a competência da direção de Miguel Arteta com ritmo da obra. Além de sua competência, temos o bom trabalho de duas caras conhecidas, Jennifer Garner e Edgar Ramírez, que não sendo espetaculares, entregam boas performances.

Mesmo sendo um filme que entrega ali o que promete, existe um abismo entre essa película e a do Jim Carrey, “Sim, Senhor”, que diminui o potencial do que ela poderia ter sido. No “Sim Senhor” as interações não eram guiadas pelos personagens com conhecimento prévio que ele falaria sim para tudo, levando a situações do nosso dia-a-dia que realmente me fizeram pensar que ser (mais) permissivo poderia ser um bom modelo de vida. Já em Dia do Sim, todas as interações já partiam da premissa que elas seriam aceitas, não agregando muito ao contexto filosófico da permissividade, levando a situações abusivas e sem reflexão.

Particularmente acho o 1o caso MUITO mais interessante, mas será que posso tirar algo do 2o? Bem… vamos testar. O 1o filme que citarem aqui nos comentários eu verei. Vamos ver para onde pende a balança.

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