Como já é a praxe aqui do MetaFictions em nossos reviews de episódios de séries, teremos spoilers violentíssimos do episódio e da série inteira no texto a seguir.


Chegamos ao último episódio de Dragon Ball Super. Depois de 130 episódios – a maioria de qualidade duvidosa na opinião da maior parte dos fãs – o episódio 131 fecha o arco do Torneio do Poder e coloca Dragon Ball novamente em hiato, mas com muita dignidade em um encerramento que fez aquela lagriminha escorrer pelo canto do olho. Percebi que mesmo não gostando tanto de DBS quanto do GT, personagens novos marcaram a franquia e, ao revê-los naqueles finais típicos onde aparecem todos os personagens, bateu aquela tristeza. Futuramente nós iremos falar dos arcos e de DBS como um todo em uma matéria especial e também vamos explorar tudo o que foi mostrado nesse Torneio, só para essa saudade não morrer.

Vamos tirar logo do caminho a questão técnica do episódio. Como eu já argumentei na crítica passada (clique aqui!), a qualidade da animação nos últimos episódios é do nível dos grandes animes de temporada, como o “My Hero Academia” (com crítica no site!), “One Punch Man” e “Mob Psycho 100”. Com fluidez, detalhes, sombreamentos, trilha sonora e cenas de ação bem dirigidas. Foi um episódio digno de encerramento de uma franquia.

O confronto final foi espetacular em intensidade e rapidez. Ele ocupou metade do episódio e foi direto, sem rodeios, luta 3 contra 1 e poucos discursos. Muito me lembrou a luta contra Vegeta na Terra, onde todo mundo ia caindo perante um adversário formidável, mas que foi se desgastando ao ponto de mal conseguir se defender de oponentes consideravelmente inferiores. Jiren, já acabado de lutar, enfrentou Freeza e 17, que não estavam no melhor de suas condições, e Goku que mal se aguentava em pé. Foi uma luta de desespero, com belas cenas de transformações que não se sustentavam, que ficaram belíssimas e traduziram o espírito da luta.

Ver a forma Gold deixando Freeza enquanto ele se defendia e o SSJ de Goku indo e vindo, como na 1a vez que se transformou, foi ao mesmo tempo nostálgico e uma demonstração que eles estavam nos seus limites. A bela imagem dos dois maiores rivais, em suas formas consagradas, no ato final de se jogarem da arena para derrubar o Jiren é o reconhecimento do ápice que a franquia teve em DBZ.

A luta foi tão intensa que ninguém sequer levantou a bola do tempo ter acabado, o que seria muito anticlimático de fato. Não sei quanto a vocês, mas eu gostaria de ter visto o Vegeta no lugar do Goku. Ele merecia acabar um arco de forma superior ao seu rival e, junto com 17 e Freeza, fecharia o trio de vilões do DBZ (faltando apenas o Boo, que fez muita falta nesse torneio). Goku é protagonista e precisa ser o herói, mas mesmo assim, ver 17 e Freeza lutando lado a lado foi muito gratificante e solidificou o status deles como os melhores personagens nesse torneio.

Com essa tática, 17 foi o único lutador restante na arena e com isso o Universo 11 disse adeus. Confesso um pouco de decepção com todo o enredo montado em volta de Freeza sendo um filho da puta que daria o pulo do gato no final – e ele teve oportunidade clara nesse último episódio – mas se contentou em ajudar o Universo 7 em troca de sua vida de volta. Como pedido, 17 não poderia ter feito outro a não ser trazer todos os universos eliminados de volta. E eu não falo isso do ponto de vista humanitário, caso ele tivesse feito um outro pedido, Zeno destruiria todos os Universos. Não vou entrar em falha de roteiro aqui para justificar um final abrupto, mas… né?

Ao chegarmos ao final e revisitarmos todos os personagens do anime, cheguei a algumas certezas. Trunks e Gotten fundidos como Gottenks e Boo fizeram muita falta e podiam facilmente terem substituído Kuririn e Tenshinhan. Rever personagens eliminados há algum tempo, mesmo sem muito desenvolvimento, mexeu um tanto nas minhas emoções, mostrando que ou eu me apego facilmente ou eles não foram tão mal trabalhados assim. O final de Freeza reerguendo seu império abre possibilidades interessantes. E, o mais importante, que eu sentirei falta de Dragon Ball Super todo domingo de manhã. Vamos ver se esse hiato não será de 18 anos como da última vez…

“Adeus, Goku! Até a Próxima!”

Sugestões para você: