Em um final de semana de estreias caprichado, tanto no cinema quanto na Netflix, o longa Eli tenta roubar sua atenção com o bom e velho enredo de uma casa mal-assombrada. Será que vale seu tempo? Vamos dizer que eu não indicaria. Contudo, permita-me deixar claro que meu maior problema com o longa está no seu final, porém, até chegarmos lá, acompanhamos nosso protagonista e seus pais em uma rotina que demanda bastante. Eli (Charlie Shotwell) vive em uma ambiente esterilizado 100%, incluindo a sua água. Apesar de não ficar muito claro nesse início qual é a sua alergia, sabemos que respirar fora desse ambiente controlado faz com que sua pele comece a “queimar”. Mas como bons pais que são, Rose (Kelly Reilly) e Paul (Max Martini) apelam para aqueles tratamentos experimentais promovidos por médicos isolados do mundo. No caso em questão, a Dra. Horn (Lili Taylor) possui um casarão isolado, hermeticamente fechado e esterilizado.

Uma vez na casa, Eli começa seu tratamento extremamente invasivo. Eis que começam a se manifestar, somente para ele, eventos paranormais, com aparições de 3 outras crianças. Não somente crianças mortas aparecem para ele, Haley (Sadie Sink), uma vizinha de alguma casa que parece ser longe pra caralho, sempre está lá do lado de fora para bater um papo e dar aquele foreshadowing que rouba parte da graça do filme. De resto, seguimos com a tradicional e segura fórmula do terror de fantasmas. As aparições vão escalonando lentamente, há algum segredo no ar que Eli tenta desvendar e somos soterrados com jump scares.

Eli é um longa que trabalha em cima de sua agonia com redução de espaço e movimento, então se você é claustrofóbico, vá com cautela assisti-lo. Muito da sua tensão parte de momentos de impossibilidade de movimento e confinamento, sendo o espaço esterilizado da casa um fator de restrição severo para nosso jovem alérgico. E caso você seja também apreciador de inovação dentro do terror, talvez ele não seja para seu gosto. Essa película deixa a desejar ao brincar com os batidos espelhos e reflexos, com cenas sem muito peso ou atmosfera. Além, claro, já que estamos falando de espelhos, de abusar dos bafinhos e escritas que tentam fazer um jogo com o nome do Eli, mas que falha miseravelmente. E, como não podia deixar de ser, ninguém acredita em nosso amiguinho conforme algo muito estranho se desenha.

Porém, tirando os erros de continuidade grosseiros, o que não consegue segurar o longa é a relação entre os personagens, especialmente a dos pais com Eli, que é pueril. Não há tempo suficiente para nos importarmos de fato com ele ou com a relação dos pais que aparentava ser desgastada. A obra parecia algo feito nos moldes tradicionais que deixava claro como acabaria com 5 minutos percorridos. Contudo, o final nos reserva uma surpresa e tanto. Infelizmente, nem toda surpresa é boa e aqui, caso o filme tivesse dado suporte adequado ao desfecho, poderia ter sido o redentor da obra. Somos brindados com um final que é tirado do cu, que não dialoga com todo o resto do longa e apresenta pouquíssimos elementos que sustentam a película. É um final contraditório e que não faz sentido algum, perdendo uma oportunidade gigantesca de ressignificar tudo que assistimos, como no excelente “Os Outros“.

No somatório final, Eli promete, te instiga, mas não dá dentro. E vem cá… por que fantasma escreve em enigma?

Sugestões para você: