Buscando distrair-se do filme de terror que se instaurou no Brasil nas últimas semanas, conhecido como Eleições 2018, este crítico se aventurou no cardápio da Netflix e resolveu se embrenhar em sua nova série original: Eu Vi.

A premissa era tentadora. Seis episódios de vinte e poucos minutos cada um, trazendo uma história real de horror e sobrenatural, contada por seu protagonista para um grupo de amigos e familiares. As histórias seriam recriadas por atores. Opa, vamos lá, pensei. Nada deve ser mais horripilante que certos candidatos, respira e dá o play.

Não posso dizer que a série não cumpriu o objetivo, ela me distraiu do processo eleitoral, não nego. Mas cumpriu da forma mais inesperada e desastrosa que a Netflix poderia ter criado. Longe de assustar ou gerar reflexão nos mais céticos, Eu Vi só funciona se o espectador a assistir como uma comédia ruim ou como um legítimo exemplar do gênero TVtosquice. Tudo é errado na produção. Só que, se você não levar a sério, pode até ser encarado como um errado gostosinho.

De cara as histórias não soam nem um pouco críveis, ainda que eu fosse a mais crédula das criaturas. E o que as torna um poço de implausibilidade é o fato de cada uma conter, no mínimo, um clichê do cinema de horror. Acreditem, tudo está lá: tabuleiro Ouija, casas construídas sobre cemitérios indígenas, mães fundamentalistas espancando filhos com a Bíblia, ETs transantes, serial killers alcoólatras. Tudo isso e muito mais.

A coisa degringola mais quando se presta atenção nas “atuações”. Na parte da “vida real”, ou seja, nos tais depoimentos “verídicos”, é de rolar de rir ver as reações do povo. Meus momentos favoritos são os de lágrimas. Ou uma experiência dessas muda a produção das glândulas lacrimais ou, num arroubo de decoro, os diretores foram obrigados a filmar as lágrimas apenas no pré e no pós rolar. A galera não consegue chorar! É um tal de take de olho vermelho, corta, lágrima já rolou, rosto molhado. E os atores “profissionais” não ficam atrás! As “reconstruções “ são a fina flor do esculhambo: atuações péssimas, direção capenga, fotografia risível, edição catastrófica. Uma delícia.

Para terminar, o melhor de cada episódio em um período:

Ep. 1. “A mulher de branco”: Tieta’s feelings (pesquise, juventude.)
Ep. 2. “O matadouro”: Seu pai é assassino, mas seu cabelo é de matar.
Ep.3. “O espírito no escuro”: Tabuleiros Ouija vendem mais que a Tekpix.
Ep. 4. “As crianças do poço”: Você quer brincar comigo?
Ep. 5. “Contaminação alienígena”: Os fdp dos Ets têm tanquinho, eu me mato de malhar e tenho pança, isso é uma indireta para o meu personal trainer.
Ep.6 . “A lápide roubada”: Se meu próximo date do Tinder não me trouxer uma lápide de presente, eu não brinco mais disso.

Uma pena que, no caso das eleições brasileiras, o horror é real e nem vai dar pra rir.

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