Apesar de ser um otaku de carteirinha (como já falei no Garimpo Crunchyroll), eu nunca me aventurei no universo de Fate. São inúmeros animes, light novels, mangás, jogos e OVAs. Então, ao ser escalado para fazer a crítica dessa nova entrada na franquia, fiquei um tanto hesitante por achar que a falta de background seria determinante para meu entendimento da estreia de Fate/EXTRA Last Encore, perdendo aí a essência da obra.

Bem, ao inciar o primeiro episódio foi exatamente essa sensação que eu tive. Mesmo abrindo com uma fantástica cena de luta, de extrema violência, e situando os primeiros diálogos em uma escola (o que é recorrente em animes), fui enterrado em um mar de informação e conexões de sistemas, pessoas e instituições que na metade do episódio eu já não fazia ideia do que estava acontecendo.

Conforme os episódios seguiam, todos os elementos apresentados no início avassalador foram sendo explicados e fui compreendendo (e apreciando) a proposta do anime. Essencialmente, Fate/EXTRA Last Encore é uma mistura de “SAO” (Sword Art Online) com “Matrix“. Pessoas habitam uma realidade virtual e são selecionadas, a partir de um processo um tanto macabro, para ascender até um estrato, de 7 no total, para tomar parte de um “ritual” chamado Guerra do Cálice Sagrado. Esses estratos são habitados por NPCs, pelos selecionados, que passam a se chamar performers, e seus servos, tipo um aliado com habilidades extraordinárias que luta junto com seu mestre. Para ascender de estrato é necessário matar outro performer e assim vai até o último, quando é concedido um desejo seu. Todo esse sistema é controlado pelo Arquiteto… digo, SE.RA.PH.

Mas nosso protagonista, Hakuno (Atsushi Abe), e sua serva, Saber (Sakura Tange), não encontram o que esperavam ao chegarem ao 1o estrato. Nitidamente o sistema não está funcionando como deveria, mas ainda assim ambos tentam achar um meio de ascender, entender o que está acontecendo e tentar arrumar tudo. Até aí eu estava muito investido na narrativa, mas conforme a qualidade da animação caía, especialmente nas lutas, a exploração dos estratos apresentava um ritmo inconstante e mal aproveitado.

Era comum ter 2 ou 3 episódios dedicados somente a um estrato, enquanto outros sequer apareciam, sendo apenas mencionados em diálogos exaltando quão foda era a duplinha ou quão merda eram os adversários. Há uma nítida falta de imaginação em aproveitar mundos literalmente distintos. Enquanto alguns possuíam personagens enfadonhos e propostas pouco ousadas que se arrastavam em tela, outros com design interessantes (como o 3o estrato) e com importantes fragmentos do que estava acontecendo com o sistema eram mal explorados. Seus episódios finais tiveram que mergulhar no lore da obra de forma muito mais agressiva do que 90% do anime, jogando-me no mesmo turbilhão de informação ao qual fui arremessado lá no início da série. Felizmente, já portando conhecimento necessário, o final, mesmo não sendo conclusivo, foi satisfatório.

Fate/EXTRA Last Encore tinha um grande potencial, mas se perdeu no seu ritmo caótico e descompassado, basta você assistir os 3 primeiros episódios e o último para compreender a totalidade da obra. O bote salva-vidas de animes que se valem muito de lutas, a animação, que no início foi de tirar o fôlego, caiu drasticamente e não foi capaz de sustentar o anime durante essa barriga gigantesca. Fico no aguardo de uma indicação de uma boa entrada de Fate, que, ao que parece, consegue criar bons mundos, mas que nesse caso pecou em seu desenvolvimento.

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