O Cazaquistão é conhecido absolutamente por porra nenhuma. Talvez – mas muito talvez mesmo – você já tenha ouvido falar do Mar Aral que está secando ou desse Estado ter feito parte da União Soviética. Duvido que você saiba apontar no mapa sua localização, saiba identificar a sua bandeira e me dizer uma personalidade famosa que não o nosso protagonista Borat Sagdiyev. Tamanho foi seu impacto na mídia em 2006, ano do lançamento de “Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América”, que o personagem promoveu a imagem do seu país natal como nunca antes, ao ponto de Maria Dmitrienko, ao ganhar a medalha de ouro no Campeonato Árabe de tiro no Kuwait em 2012, ter tido de escutar a trilha sonora da obra enaltecendo o Cazaquistão por ter as “prostitutas mais bonitas da região” em vez de ouvir o hino de seu amado país. E, meus amigos, mais do que nunca, Borat se faz necessário.

Ganhando vida através da brilhante performance do britânico Sacha Baron Cohen, Borat volta aos EUA para redimir a imagem de sua nação manchada depois de anos de humilhação causados pelo seu mockumentary. Com um plano simples de entregar como presente a sua filha para o alto escalão Republicano a fim de colocar o 1o ministro do Cazaquistão no mesmo status de líderes dessa linha nacionalista que engloba, inclusive, nosso governo brasileiro, embarcamos numa jornada divertida e igualmente assustadora. E que espetáculo é a personificação que Sacha consegue entregar. Caso você não lembre ou não tenha visto o Borat de 2006 – e nem precisa para apreciar esse filme -, nosso protagonista é extremamente antissemita, machista, racista e todos os piores “istas” que estamos, infelizmente, habituados a encontrar em nosso dia a dia e que encontram nos EUA grande liberdade para bostear aos quatro ventos.

Dito isso, passamos por uma série de pessoas com discursos que vão além do Borat, mostrando o quanto é surreal a realidade em que vivemos. São convenções, protestos, pessoas ordinárias, pessoas importantes e uma série de situações que expõem os mais diversos absurdos. Algo que era uma somente uma paródia 14 anos atrás, hoje encontra respaldo nos mais altos escalões do poder dos EUA. É assustador a um nível que a pessoa que vos escreve não conseguia disfarçar com expressões de puro espanto e repúdio, o que mostra a competência de Sacha ao conseguir arrancar declarações e concordâncias de pessoas que parecem viver numa dimensão paralela. Vale ressaltar que Sacha é judeu – inclusive protagonizando uma das melhores minisséries de 2019, “O Espião” – e ativista – aparecendo no mais novo sucesso da NETFLIX “Os 7 de Chicago” -, não sendo essa a primeira vez que ele mergulha na paródia para arrancar as contradições e evidenciar os absurdos, vide seu ótimo trabalho em “O Ditador” e “Brüno”.

Embora não tenha o mesmo impacto do primeiro filme, esse segundo Borat chega em um momento importante em diversas aspectos. Estamos acompanhando a crise pandêmica que assola nosso mundo, em especial os EUA, e estamos às vésperas da eleição americana. Considerando o alcance gigantesco que a Amazon Prime Video tem, existe a expectativa que o filme faça o que a exibição de “Fahrenheit 9/11” em 2004 não conseguiu, derrubar os Republicanos.

Sugestões para você: