Em meio a uma semana aparentemente fraca e pouco inspirada de lançamentos da Netflix, o título de comédia da vez fica com uma série pequena vinda da França. Flagrantes de Família é composta por seis episódios de cerca de 30 minutos cada um, com suas gags e sequências que desafiam o mais azarado dos homens, em uma trama que vai envolvendo mais os seus personagens do que o espectador. Tocando em temas para deixar os mais conservadores um tanto quanto insatisfeitos, a série embarca na marola dos “reis do balão”, os famosos fumadores de maconha.

Ao receber uma dica “quente” de uma amiga, cujo pai trabalha na política francesa, de que o país está prestes a legalizar o consumo de maconha (tal qual a Holanda fizera há algum tempo), uma família judaica, que tem um açougue na beira da falência, investe pesado na reconstrução do lugar em um bar onde se fuma a erva, de maneira permitida pela lei que ainda virá. No entanto, a ideia do filho “perdido” não será aceita tão facilmente pelo pai conservador e tradicionalista. Dessa forma, ele e seu melhor amigo farão uma série de movimentos para conseguirem a autorização do pai. Essa iniciativa, porém, vai envolvendo cada um dos familiares, até a avó.

Os famosos reis do balão.

De viajar à Holanda para um “test drive” das ervas mais “robustas”, desde o fumo ao confeito (a erva em docinhos), os parentes vão criando uma rede de “tráfico” ao modo mais simpático e “inocente” possível, já que será tudo na legalidade (ainda que no momento ainda não seja) e é tudo em família. O objetivo é o único comum a todos: conseguir melhorar a condição de vida, fazendo um bom dinheiro com o negócio. Mas a estupidez de seus personagens é a grande força motora da narrativa, pois as imbecilidades nas quais se metem só faz a roda da fortuna girar sempre ao contrário para eles; muito embora, por vezes, o destino sorria favoravelmente aos pequenos imbecis.

As situações que surgem por vezes despertam o interesse maior do espectador, já que fatalmente caminham para o lado cômico da história. Porém, decisões e soluções imediatas e preguiçosas deixam a desejar no desenvolvimento da série, flertando com o novelesco. Algumas ramificações da narrativa seriam melhor aproveitadas, caso aprofundadas, deixando aquela vontade de conhecer mais alguns personagens e seus conflitos (em especial, a namorada do protagonista, que é bem coadjuvante, mas pela qual nutrimos grande empatia). Mas, no todo, o que sobra é uma série que se fundamenta mais no absurdo de sua sinopse e de algumas cenas (como uma família inteira fumando maconha e se divertindo com os efeitos do “balão”) do que com um roteiro bem pensado e uma direção firme em seu desenrolar.

O lerdão-mór.

Se você estiver com tempo, sem nenhuma série encaixada na sua lista, e quiser libertar sua mente de grandes embates filosóficos, morais e existenciais, talvez Flagrantes de Família seja uma opção para você descansar um pouco as ideias, embarcando na marola que exala de seus protagonistas e de suas sequências malucas. Para além disso, não é tão recomendável, pois se vier com grandes expectativas para essa viagem, a “bad” pode ser bem grande.

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