Como de praxe, sendo esta a crítica a 3a Temporada de Frontier, há spoilers brutais das temporadas anteriores. Clique aqui para a resenha da 2ª Temporada.


Da estreia de Frontier em2016 para cá, Jason Momoa se tornou um astro quase de primeira grandeza em Hollywood depois de ser a única a coisa que prestou do filme da “Liga da Justiça com o seu Aquaman muito mais metido a fodão do que o dos quadrinhos. Os seguidos teasers e trailers do filme do Aquaman também ajudaram a fazer de Momoa alguém incrivelmente maior do que Frontier, série canadense que estrelou como mero protagonista em suas primeiras temporadas, mas da qual agora, muito provavelmente por causa de sua fama, é também produtor executivo.

Não é portanto, exagero dizer que sem Momoa a obra não teria chegado a sua terceira temporada. Na ausência de uma grande estrela que a carregue nas costas, faz-se necessário encontrar um apoio em todo o resto, em especial na confecção de um roteiro instigante, num casting de sorte e em algum virtuosismo técnico na produção, coisas que faltaram quase que totalmente nas temporadas anteriores a respeito das quais você pode ler um apanhadão no link da primeira linha do post.

Desta vez, contudo, alguém deu uma boa sacudida na produção de Frontier e recebemos a primeira temporada decente de uma série que parecia ter tanto potencial (além do Momoa), mas que o desperdiçava a cada episódio, o que continua a acontecer embora tenha havido melhoras. O que havia de bom anteriormente foi melhorado e o que havia de insuportável foi elevado às raias do passável, fazendo desta disparadamente a melhor temporada da série.

Retomando de onde terminara a 2a temporada, com Lorde Benton (Alun Armstrong) levando Grace (Zoe Boyle) como refém para desespero de Declan Harp (Jason Momoa) e com o comércio das peles e couros num caos do caralho depois que Samuel Grant (Shawn Doyle) e seu amante Cobbs Pond (Greg Bryk) mataram a viúva Carruthers, o roteiro aqui continua uma salada do cacete, mas ainda assim menos confusa do que foi anteriormente e, principalmente, com diálogos e um desenvolvimento de personagens mais bem construído. Ainda que todo mundo continue a seguir os estereótipos de sempre – anti-herói atormentado pelo passado, bicha má, ladrão de boa índole, vilão mau igual ao pica pau – pelo menos eles agora o fazem com algumas poucas nuances e com diálogos mais empolgantes.

Começando com uma cena muito bem filmada de uma batalha brutal entre o pessoal de Harp e os funcionários da HBC, esta temporada atinge novos níveis de excelência no que se refere à cinematografia, o que já era seu ponto forte nas temporadas anteriores. Desta vez, além das já tradicionais e belíssimas tomadas da beleza inebriante das paisagens gélidas do Canadá (e da Escócia também nesta temporada), são vários os momentos em que o uso da luz, em especial de tochas, ajuda a contar a história e a trazer ainda mais beleza para este conto de vingança e selvageria.

Momoa continua sendo o monstro de carisma que sempre foi ao perseguir Lorde Benton até os confins do mundo atrás de sua vingança e na esperança de salvar Grace. O que não dá para entender, contudo, é porque esse filho da puta ainda não foi morto, com esta temporada mais uma vez indo na mesma toada das anteriores de colocá-lo em situações impossíveis e tirá-lo dela como que num passe de mágica, ignorando que há 20 sujeitos com uma arma apontada para ele. Não ajuda também o fato de perdermos tempo com vários outros núcleos, todos acontecendo ao mesmo tempo, mas em períodos de tempo que não parecem compatíveis para a convergência ao final da série, o que, mais uma vez, a prejudica tal qual ocorrera nas temporadas anteriores.

O roteiro, portanto, continua a ser o principal vilão aqui, levando a história por um caminho que não ousa, deixando isso exclusivamente ao eventual virtuosismo estético da fotografia. A direção segue por um caminho parecido, naquele esquema de que não fede nem cheira, mas que consegue entregar algo aceitável.

No final das contas, se você foi o bravo que conseguiu superar a tenebrosa primeira temporada e encontrar algum conforto na mais ou menos segunda temporada, certamente ficará bem satisfeito nesta terceira e melhor temporada de todas, em especial nos seus eletrizantes episódios finais.

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