“A Insustentável Leveza do Ser” foi um livro que me marcou por dialogar com um término amoroso que então era digerido. Recém-saída de uma relação que não mais me fazia bem, minhas emoções oscilavam entre o absoluto alívio e o peso que a falta ocupava.

Seja por identificação ou por, de fato, tratar-se de um clássico renomado, o título do livro (e nem tanto seu conteúdo) é para mim uma belíssima e sensível escolha por descrever com precisão esse sentimento. E no filme que vos resenho esse sentimento vem à tona. Como lidar afinal com esse limbo entre o fim e o recomeço?

Mas será mesmo atroz o peso e bela a leveza?

Anders (Ben Mendelsohn) decide passar por um combo de mudanças: largar o trabalho e abraçar a aposentadoria, sair de um casamento de décadas e, por fim, morar só. O impulso que o leva a tal é a infelicidade que caracterizava sua antiga vida. No entanto, há uma repetida insatisfação após essas decisões e é aí que há a inabilidade de resiliência – completamente compreensível. É uma sensação estranha quando saímos de algo ruim e o ruim persiste. Seríamos nós o problema?

Inserido num alienado ciclo social classe-média-alta-americana tacanho, o processo de reconstrução e redescobrimento pessoal se torna ainda mais trabalhoso. A maior parte de seus conhecidos taxa Anders como um fodido, sem mais delongas, que abandonou a família e reflete no filho uma personalidade que vagueia por aí. Dentro dessa bolha, construímos durante grande parte do filme um preceito de quem é Anders, muito influenciado por aqueles ao seu redor. Por fim, o filme gira sua angulação e a perspectiva de certo e errado – que já é um tanto fluida por vezes – muda.

O que escolher então: o peso ou a leveza?

Gente de Bem nos brinda com sensibilidade, palpabilidade e eficiência. Uma história que toca sem apelar e que fisga o telespectador seja por tratar de drogas, disfuncionalidade familiar, relações paternais e maternais ou mesmo por apenas indagar como que raios podemos ser felizes e leves.

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