Como bom otaku sofredor de bullying nos anos 90 – assim como muitos outros que começaram sua vida nos animes assistindo “Cavaleiros do Zodíaco” (confira aqui nesse especial Cunchyroll) – sempre fico empolgado quando algum anime cujo trailer me prende ou o mangá já é conhecido estreia em alguma das diversas plataformas de streaming. Hoje em dia essas distribuidoras já perceberam que esse é um filão importante na produção audiovisual e praticamente toda semana temos estreias em plataformas especializadas, como a Funimation e o Crunchyroll, e em plataformas populares, como o Prime Video e a Netflix.

Dito isso, estreando na Netflix nesse final de semana depois de contaminar com um trailer magnífico, Gokushufudou, em apenas 3 minutos de exibição, me mostrou onde iria chegar e o caminho que percorreria. Embora isso possa parecer ruim, não pude ficar mais eufórico com os seus curtos 5 episódios. Digo isso pois de cara a primeira obra que vem à mente é o glorioso “Saiki Kusuo no Psi-nan” (crítica da 2a temporada, da 3a temporada e do Reativado). Temos a mesma estrutura de esquetes de 3 minutos em sequência, formando um episódio de 15 minutos. Isso implica num ritmo alucinante e que joga muito com seu conhecimento da cultura japonesa e de animes como um todo (talvez não tanto quanto em Saiki Kusuo).

Acompanhamos Tatsu, o imortal. Um ex-membro da Yakuza que executou um trabalho impossível, sumindo logo depois do mapa e criando uma lenda (bem como em “John Wick” – crítica do 2o e 3o filmes). Caso você não saiba, a Yakuza é a máfia japonesa, regida por regras muito rígidas, muita disciplina e lealdade. Eis que Tatsu abandona essa vida para ser dono de casa, servindo à sua deusa: sua esposa. Daí pra frente é uma sucessão de situações corriqueiras, mas enfrentadas com os métodos e a personalidade de um criminoso. É de cair o cu da bunda de tão engraçado. Desde fazer comida, até matar uma barata, o anime joga de forma genial com diversos estereótipos.

O que tinha tudo para ser um anime excelente, perde um tanto na área da animação, que praticamente não existe. Somente as bocas são animadas e os planos de fundo que se deslocam em relação ao 1o plano. É basicamente assistir à uma sequência de quadros do mangá muito bem dublada. Mesmo os designs sendo bons e criativos, isso foi uma bela de uma decepção. Fica a cargo da edição contar a história numa sucessão de planos avassaladora e belissimamente executada em uma linha condutora bem tímida, quase dando para ver os episódios de forma aleatória.

E assim que ficamos pouco depois de 1h de maratona. Gokushufudou: Tatsu Imortal é divertido, leve e cumpre de forma magistral o que promete.

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