“Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. Essa frase ganhou outra conotação para o nosso amigo da vizinhança após a morte de seus criadores, Stan Lee e Steve Ditko. Com isso, a equipe encarregada de levar Homem-Aranha no Aranhaverso às telonas recebeu uma enorme tarefa: lançar um filme divertido, bem-feito, fiel e que faça jus às raízes plantadas pela dupla. Sendo fã da Marvel desde pequena e ganhando conhecimento por seus filmes, quadrinhos e desenhos, a animação foi uma surpresa maravilhosa e mostrou porque era um dos longas mais aguardados do ano.

Nessa versão e dimensão, o jovem Miles Morales (voz de Shameik Moore no original, Cadu Paschoal na versão brasileira) passa por uns perrengues em sua nova escola e até com seu pai. Sua situação piora quando uma tragédia acontece e precisa virar o novo Homem-Aranha, mas como o título sugere, ele não é o único. Cinco outras encarnações do herói, todas de dimensões alternativas, se juntam a Miles para enfrentar uma ameaça que pode detonar suas realidades.  E não são qualquer versão: temos aí Peter B. Parker (Jake Johnson/Nando Lopes); Gwen Stacy, a Mulher-Aranha (Hailee Steinfeld/Luiza Cesar); Homem-Aranha Noir (Nicolas Cage/Ricardo Schnetzer); Peni Parker (Kimiko Glenn/Ana Elena Bittencourt) e Porco-Aranha (John Mulaney/Paulo Vignolo), que não, NÃO É O DOS SIMPSONS. Cada um brilha individualmente, apresenta seus dons e origens de forma divertida e contribui ao humor do filme sem desviar o foco.

Tente encontrar um sexteto mais incrível que esse e falhe miseravelmente.

A animação é insana. Sério. O que é isso?! Estética muito original, lindíssima, um tanto psicodélica, com os elementos de uma HQ (onomatopeias e linhas de movimento) e efeitos cartunescos que acrescentam muito à composição da história. Simplesmente genial. Ao mesmo tempo em que é uma história de origem, os roteiristas fizeram algo totalmente novo com aqueles famosos clichês do Spidey, assim, saindo do básico e se destacando entre várias desse tipo. O roteiro deixa a história fácil de entender e consegue ser engraçado, divertido e criar momentos sérios e tristes no nível Pixar de depressão, que tá longe de ser baixo. Além disso, não faltam referências e easter eggs ligados a outras produções do personagem. Os minutos iniciais são recheados disso e me senti no paraíso ao sacá-los.

Quanto aos personagens, fiquei muito satisfeita, em especial com o Miles. Muitos fãs aguardavam uma adaptação protagonizada por ele e com certeza não vão se decepcionar, já que o seu crescimento é um dos dois melhores de todo o filme. Outro personagem também passa por isso, mas por causa de uma política anti-spoiler prefiro não revelar. Agora, a dublagem nacional merece reconhecimento. As vozes combinaram demais com os personagens. Pra vocês que se encarregaram desse dever, dou meus parabéns.

É isso que acontece quando alguém toma a pílula azul E a vermelha.

Acredito que Lee e Ditko ficariam orgulhosos do resultado final. Um pacote completo: história de origem repaginada, mensagem foda, uma animação muito boa, visualmente e em questões de entretenimento, e filme de super-herói que faz outros do gênero chorarem, inclusive os considerados “bons”. Ao meu ver, é o melhor longa do herói e o que merece levar o homenzinho dourado mês que vem. Vencendo ou não, ganhou um lugar especial no coração dessa Marvete.

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