A Netflix segue em sua saga no universo Marvel com a 2a temporada de Jessica Jones. Com um hiato de 2 anos e meio, será que a série se sustentaria sem sua maior atração, o vilão Kilgrave (David Tennant)?

Sejamos honestos. Das 6 séries da Marvel produzidos pela NETFLIX, apenas 3 se salvam, Demolidor, O Justiceiro e os Defensores, sendo que este só se salva pela presença do Demolidor e seu elenco de apoio. Luke Cage e Jessica Jones são séries que têm bons momentos, mas raramente se sustentam pelos personagens principais. Nem vou entrar no mérito do Punho de Ferro…

Com o lançamento na oportuna data do dia das mulheres (meus parabéns e confira nosso especial), a série se apoia em 3 personagens femininos, tentando algo interessante, mas porcamente realizado, o que é uma pena tendo em vista a data de hoje e a carência de heroínas no universo de super heróis.

Caso você já tenha visto/lido Watchmen, a trama não te surpreenderá muito na forma que é conduzida. As pessoas com “dons” começam a morrer/serem ameaçadas e cabe à Jessica (Krysten Ritter) e Trish (Rachael Taylor) descobrir o que está acontecendo. Para isso, elas remexem nos eventos, há muito esquecidos por Jessica, que deram origem aos seus poderes.

Associado a isso, temos também, como em Watchmen, uma ênfase na psique perturbada daqueles que chamamos heróis, super ou não. Praticamente todos na série são psicologicamente destruídos ou com sérios problemas mentais, seja por traumas passados, uso de drogas de diversos tipos, problemas de saúde, raiva e solidão.

Apesar de apontar para discussões interessantes e eventualmente vermos bons diálogos, essas personas são sub-exploradas e servem mais para justificar certos comportamentos como mecanismo do roteiro do que discutir a ética e a moralidade dos justiceiros.

O maior destaque certamente são os conflitos de Jeri (Carrie-Anne Moss), a advogada de todo mundo nesse universo. Diagnosticada com uma grave doença degenerativa e uma perspectiva assustadora para seus próximos poucos anos de vida, ela assume uma visão da vida que aborda questões como suicídio. É gratificante ver certos questionamentos sem o embelezamento dado por outras séries a fins de audiência.

O grande vilão dessa vez fica naquela área cinza entre o certo e o errado. Infelizmente não posso revelar muito sobre ele, o que seria entregar demais a temporada. Mesmo sendo um vilão com uma proposta interessante e profundamente ligado ao passado de Jessica, nosso antagonista não carrega a excelência da atuação do David Tennant e acaba por não criar aquela expectativa do confronto final.

Com vários episódios fillers, um péssimo timing para comédia e uma trama que tenta se apoiar nos problemas psicológicos das personagens, mas que falha miseravelmente, a 2a temporada de Jessica Jones mantém o que eu disse lá na introdução: é uma série com bons momentos, mas não se sustenta por seus personagens principais.

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