Já adianto de cara que essa é uma série que me decepcionou bastante. Lembro que em 2015, quando finalmente saía na Netflix uma série de super herói com uma personagem feminina, fiquei bastante empolgada e acompanhei com gosto a primeira temporada de Jessica JonesApesar de alguns furos, a história da minha xará superpoderosa, com seu estilo Joan Jett badass, cativou muitas pessoas que não apenas simpatizaram com a personagem mas também com muitas das questões levantadas pela série, sobretudo em relação ao tema do assédio e violência de gênero, além de outras valiosas questões para a pauta feminista e LGBTQI.

A presença de personagens femininas fortes e protagonistas também era um interessante ponto no quesito representatividade, mas infelizmente também acabou ficando de lado com o desenvolvimento pouco interessante dos arcos de cada uma delas. Por esses motivos, eis minha decepção com a série, que tinha todos os elementos para ser absolutamente interessante mas que, ao final da 3a temporada, não deixará saudades.

Dito isto, depois de uma 2a temporada bastante questionável, acompanhamos nesta 3a temporada uma Jessica Jones (Krysten Ritter) mais consciente em relação ao seu papel como heroína e, diria até, mais desejosa de fazer o bem, porém, mantendo a velha fachada agressiva e se escondendo da proximidade emocional com o já conhecido lema do “não me importo com ninguém”. Ainda carregando os traumas do passado e o medo de se apegar às pessoas e perdê-las, Jessica porém continua não conseguindo deixar de lado o instinto investigativo e o compromisso de ajudar os novos personagens que surgem em seu caminho.

Encontramos ainda Trish (Rachael Taylor), Malcom (Eka Darville) e Jeri (Carrie-Anne Moss), que seguem desenvolvendo suas questões e subtramas, algumas mais interessantes do que outras, mas que de maneira geral não apresentam arcos tão surpreendentes assim. Eventualmente, eles passam a integrar a trama central envolvendo Jessica e o novo desafio da temporada – aliás, é bem mais interessante do que o anterior –  entregando performances certamente bem melhores em comparação ao início da série. De maneira geral, vemos a superpoderosa ser desafiada – e, necessário mencionar, literalmente ameaçada –  mais uma vez por um vilão egocêntrico determinado a provar sua grandiosidade masculina, o que leva a moça a recorrer a uma parceria com sua irmã adotiva. Trish, que finalmente conseguiu se igualar à Jessica em termos de habilidades excepcionais, mantém, porém, uma instabilidade emocional e psicológica, responsável inclusive pelo grande plot twist de toda série.

De maneira geral, a reta final da história de Jessica Jones se mostra interessante em alguns momentos, mas passando longe de ser incrível ou tão boa quanto o início da história.  O desenvolvimento lento da trama e os diversos furos ou “repetecos” narrativos me fizeram bocejar em diversos momentos e ter vontade de acelerar os episódios. E por falar no final… É preciso dizer que ele se mostra extremamente questionável, dada a premissa fundamental da representatividade feminista, o que certamente irá desagradar muitas das fãs da série. Por esses fatores é que considero a terceira e última temporada de Jessica Jones tolerável, sendo assistível apenas pelo fato de dar cabo da história de uma personagem que poderia ter sido melhor aproveitada.

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