Esta é a crítica da 2a Parte do anime. A crítica da Parte 1 pode ser lida aqui.


Caro amigo MetaFictions, se você caiu aqui de paraquedas você precisa fazer duas coisa antes de prosseguir. Assistir a 1a Parte de Kengan e ler sua crítica. Nesta presente análise, partirei do pressuposto que você já fez isso, logo, espere spoilers do início da saga do nosso querido Ohma Tokita, cabeça de pica. Além do mais, a Parte 2 pega exatamente no mesmo ponto onde ficamos na parte inicial, ainda com o 1o round de lutas da décima sexta de finais, reduzindo de 32 para 16 lutadores no torneio. Caso vossa senhoria esteja se perguntando se a qualidade se mantém aqui, vou deixar bem claro: é bom pra caralho!

E é isso. É exatamente igual, sem tirar nem pôr nada substancial. A dublagem continua maravilhosa – e faça o favor de agraciar seus ouvidos com pelo menos 1 episódio dublado -, as lutas e as motivações pessoais desses cachorros-loucos continuam sendo o carro chefe do anime, as tramas dos bastidores servem essencialmente de pano de fundo, costurando uma luta com a seguinte e a animação 3D cumpre sua função de ser a coisa mais merda a surgir na animação japonesa nos últimos anos e, paradoxalmente, é o estilo de animação que melhor entregou socos e chutes com impacto que chegam a doer em quem assiste. Contudo, vamos fazer algumas ressalvas em comparação que são pertinentes.

Quanto às lutas, elas ainda são espetaculares. Muitas reviravoltas são indefinidas até o último golpe e contam com personagens apresentados na hora e bem desenvolvidos. Porém, começam a aparecer alguns traços ou o anime passa a insistir em peculiaridades que vão além do normal para uma obra que tenta ser crível dentro de uma margem aceitável. Temos alguns lutadores usando técnicas que são quase sobrenaturais, como se fosse um kaioken do Goku ou a abertura dos portões do Rock Lee. Mesmo tendo todo um contexto, como os “empréstimos” do cabeça de pica, esse subterfúgio funcionou mais para aumento dramático – já que isso vem com um custo – do que como uma técnica que dá graça à luta. Outro ponto que começou a incomodar foi a pluralidade de lutadores. Tem pra tudo que é gosto mesmo. Até combatente com estilo que nem arte marcial é, como um gordão que é pescador e usa seus 40 anos de experiência no mar matando peixe e baleia como técnica que, sem sombra de dúvida, NUNCA funcionaria num ringue. Além de termos referências como o Super Mario na 1a Parte, nessa 2a temos até a porra do Mickey lutando pela Disneylândia. É uma galhofada que já não cabe mais a essa altura e só serviu para desperdiçar tempo de desenvolvimento de seu adversário que, ao que parece, tem um certo peso.

E é aqui que Kengan Ashura brilha, apresentando os adversários que pleiteiam ao título com seriedade. Os personagens são tão bem construídos que temos vilões e antagonistas (não necessariamente maus) fazendo de cada luta nessas oitavas um deleite para os olhos. E já spoilerando a sua diversão, já afirmo que você não verá o fim do torneio ainda. Temos 1 luta por episódio e, se você sabe contar, fica óbvio que acabamos a temporada no início das oitavas de final. Inclusive, uma luta que poderia ser a final facilmente toma o palco até de forma inesperada, tornando cada confronto mais instigante do que o outro, com titãs que você não imagina perdendo em rota de colisão. Ficamos em suspensão a cada golpe que entra e, confesso, até vibrei em alguns momentos e me foi arrancada uma lágrima em uma das lutas. Isso sem contar aquela abertura que te dá vontade de ficar todo trincado, entrar na primeira academia com artes marciais que passar pela sua frente e se inscrever num torneio de vale tudo, impulsionada por uma trilha sonora que entra sempre no momento mais apropriado do episódio com um sonoro “Let’s go!”.

Porém, se você busca trama política, melhor procurar em outro lugar. Os personagens por trás das fachadas das empresas e seus dramas pessoais são chatos e não agregam muito, incluindo aqui o famoso Kazuo Yamashita, nosso co-protagonista cuja vida depende da vitória de seu lutador, Ohma Tokita. No máximo, atrelado a alguns lutadores que não posso mencionar, há o desenvolvimento de uma história de fundo do Ohma, que é interessante e aponta para algo que pode render frutos numa parte 3(?!). No mais, se você gostou da Parte 1, a Parte 2 é mais do mesmo… e que bom que seja assim. Se você busca esse tipo de tensão e porradaria sem limites, Kengan Ashura foi feito sob medida.

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