A Indonésia é país destino de aficionados pelo surf e turistas em busca de prais paradisíacas com custo muito baixo. Porém, talvez você tenha escutado mais a respeito dessa nação pela sua constante aparição na mídia devido às catástrofes naturais que ceifaram a vida de mais de 300 mil pessoas nos últimos 15 anos. Além disso, pouco conhecemos desse arquipélago no sudeste asiático, pondo em segundo plano uma história e cultura riquíssimas (Nota do Editor: Não se esqueçam de “Operação Invasão“, filme fetiche de este que vos fala).

Baseado no folclore regional, Kuntilanak: Espelho do Mal apresenta uma obra de terror com fortes elementos culturais e feito muito mais para ser consumido internamente do que pelo ocidente. O termo kuntilanak carrega várias interpretações, variando de significado (e nome) de país para país e está presente nas lendas urbanas de Bangladesh, Índia, Paquistão, Malásia, Indonésia, dentre outros, e, independente da variação que possui, é centrada na relação entre mãe e filho, com um dos dois morrendo muito cedo.

No caso do longa, esse espírito está relacionado à morte de uma mulher e o desaparecimento de seu filho dias depois, deixando um rastro macabro e um espelho muito antigo cheio das mandingas. Eis que entram em cena um programa de TV que quer desvendar o mistério e atribuí-lo a um kuntilanak e uma trupe de crianças tipo os Batutinhas que acha esse espelho na casa abandonada pelo pai que perdeu a mulher e o filho. Começa a saga para, primeiro, provar a existência da entidade e, segundo, apenas para permanecer vivo numa situação que rapidamente sai do controle.

Apesar de ser muito bem produzido em seus momentos de tensão, o filme, por querer ser mais acessível para crianças, abraça um forma de descontrair que causa uma ruptura grotesca e tira a imersão da obra. Sabe quando você tá vendo “Zorra Total” – e eu espero que você não tenha passado por isso – e alguém aperta qualquer parte da anatomia de outra pessoa e você escuta o barulho de uma buzina? Já é ruim num programa de comédia que só vale – quando vale – pela proposta, mas em um longa sobre espíritos amaldiçoados é algo complementante fora do tom. Talvez funcione na Indonésia, mas aqui não.

Essa alternância entre momentos bons de terror e outros ridículos de crianças tramando “como vão escapar dessa grande enrascada” quebra o ritmo da obra mais do que Iko Uwais quebra caras (não sabe de quem estou falando? Então clique aqui). E é uma pena que seja assim. Kuntilanak: Espelho do Mal tinha tudo para mostrar para o mundo uma faceta da cultura indonésia ao mesmo tempo que entreter. MAS…. caso você consiga abstrair esses momentos baixos, há aqui um obra interessante sobre espíritos que vai te parecer familiar, mas com toques regionais que dão um sabor especial.

Tenha sempre em mente que, além do idioma, que de início causa certa estranheza (não tem tem dublagem em português), certos aspectos culturais são muito peculiares para nós brasileiros, mas que estão de acordo com um país formado por diversas culturas que ocupam milhares de ilhas e que encontram no islã sua referência religiosa. Respeite as diferenças. 😉

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