Legado nos Ossos estreou na Netflix nesse final de semana e levantou uma pergunta inquietante enquanto eu assistia: o que suicídios com padrão similar, profanação de igrejas católicas, tradições religiosas de uma localidade e uma história familiar possuem em comum? Mais do que eu esperava e menos do que eu gostaria.

Essa produção audiovisual espanhola – que anda em alta com a série “A Casa de Papel” e o longa “O Poço” – irá nos conduzir pelos meandros de uma investigação envolvendo crimes de natureza perturbadora e pessoas imergidas em um mundo sobrenatural numa remota vila num vale espanhol idílico e de passado violento. Envolvendo Amaia Salazar (Marta Etura), policial nascida lá e que retorna à casa de sua tia com seu filho recém nascido, vamos montando um quebra-cabeça de difícil compreensão do todo, mas com peças interessantes.

Talvez, por trabalhar de forma crível o sobrenatural e envolver procedimentos investigativos usuais, a película consegue reter a maior parte de sua atenção com a promessa de emendar seus pontos soltos e que parecem distantes um dos outros. Contudo, são tantos mistérios e perguntas sem respostas, que fica difícil entender ao que o longa se propõe, passando a impressão que ele não sabe bem se quer ser um filme policial ou um sobrenatural. E já “spoilando” levemente a sua diversão, esse longa faz parte de uma trilogia, logo espere ficar sem algumas respostas, embora feche um arco e você não fique sem desfecho. Agora, esse desfecho é satisfatório? Cabe a você responder… e já adianto que não achei.

Tecnicamente ele é impressionante, não no sentido de ser imaculável, mas de impressionar com suas temáticas e cenas fortes. Trabalhar com infanticídio, aborto, rituais pagãos e suicídio sem ser sensacionalista e raso é difícil, mas O Legado nos Ossos consegue se desvencilhar desse problema. Embalando tudo isso temos uma bela fotografia e uma direção firme que passa a sensação de grande investimento em sua produção.

Vale seu tempo? Caso você esteja disposto a ver 3 filmes, sim.

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