O mockumentary é nada mais nada menos que um documentário falso ou, se quiserem uma abordagem mais formal, um pseudodocumentário. Está presente nas indústrias cinematográfica e televisiva há quase 40 anos e gerou hoje clássicos como “Isso é Spinal Tap”, coisa recente e muito boa como “O Que Fazemos nas Sombras” (indicado em nosso Garimpo Netflix Vampiros), a inovadora “The Office” e “Parks and Recreation”.

O humorista australiano Chris Lilley já é bastante familiarizado ao gênero e lançou na Netflix sua nova série dentro desse gênero, Lunáticos. Infelizmente, ela peca no que deveria sustentá-la: humor. Acompanhamos, por seis meses, a vida de seis figuras, no mínimo, excêntricas (todas interpretadas por Lilley) determinadas “lunáticas”. Impossível dar mais detalhes sobre a história porque é basicamente isso que acontece em seus dez episódios de 36 a 38 minutos, além do fato de que ela não evolui com o passar do tempo. Tão rala que não sei mais o que dizer, além dos seguintes pontos.

Não há nada de errado na maneira em que é feito, afinal, “respeita” a estrutura básica de qualquer mockumentary e se pegarmos alguns dos trabalhos anteriores de Lilley, dá pra ver que a intenção é ser tosco mesmo. O problema está no conteúdo, que se esforça arduamente em arrancar gargalhadas da vítima, perdão, espectador. Destas seis figuras irritantes, só a primeira conseguiu me divertir: Keith, um designer de moda com tesão por um caixa eletrônico específico e um relacionamento “estável” com a família. Outros 4 tem seus momentos, mas não escapam da “sem graceza”. Mas Joyce é inacreditável de ruim. Claramente, ela sofreu algum trauma severo que afetou seu psicológico e a deixou com comportamento quase psicótico. Se Lilley tentava promover um aumento de conscientização sobre sanidade mental, fez uma bosta de trabalho. O roteiro e direção já eram precários, mas a presença dessa desgraça de representação não facilitou minha experiência, digo, tortura.

Sabe aquelas questões de prova de português que você precisa “explicar o humor da tirinha” mesmo que ela não tenha graça nenhuma? Isso descreve minha experiência assistindo essa porcaria. Parabéns, Sr. Lilley!

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