Guilty pleasure… Além de ser a expressão preferida do nosso editor-chefe (Nota do Editor: Não.) e amplamente utilizada por Rene Vettori ao se referir ao gênero de terror, é, também, o que resume meus sentimentos por filmes que se passam essencialmente no mar, tanto na superfície como nas suas profundezas abissais. Tenho total e completa noção que a maioria dos filmes do gênero envolvendo animais desse ambiente não são bons, com exceção do clássico e fantástico “Tubarão” (com uma ótima posição no nosso Top 10 Filmes de Monstro), o recente “Águas Rasas“, o bem recebido “Mar Aberto” e os meus queridinhos “Esfera” e “O Segredo do Abismo” (com Nostalgia no site). Será que Medo Profundo entraria para esse seleto grupo que só existe na minha cabeça?

Em termos de premissa o longa é qualificado. Duas irmãs, Lisa (Mandy Moore) e Kate (Claire Holt) estão curtindo umas férias no país no qual Tio Sam insiste retratar como local do taco, tequila, gangues e de imigrantes ilegais: o México. Conhecido além por esse estereótipo cruelmente perpetuado, a terra dos astecas e dos maias ostenta orgulhosamente belíssimas paisagens naturais, incluindo suas praias na porção leste de seu território, banhadas pelas calientes águas caribenhas.

Buscando altas aventuras, elas resolvem fazer um mergulho em gaiola para ver os famosos grandes tubarões brancos, ou, como eu prefiro falar, the great white sharks – um dos nomes mais fodas do reino animal – muito bem retratados no longa. Elas acabam realizando o passeio por meio de uma empresa não legalizada e com equipamentos nitidamente precários. Eis que no meio do mergulho o guindaste que sustenta a gaiola quebra e elas acabam no fundo do mar a 47 metros da superfície.

Tirando alguns detalhes sobre os efeitos da pressão sob essa profundidade, área na qual tenho conhecimento muito superficial, e dos hábitos de caça dos great white sharks aprendidos durante os programas apresentados no Shark Week que vão ao ar anualmente no Discovery Channel, o longa peca muito pouco, mas peca de forma vergonhosa no seu terço final.

Abstraindo o seu final horroroso, daí a nota não ser um primor, Medo Profundo consegue fazer um filme sobre tubarões com diversos elementos pouco explorados pelo gênero derivados da situação na qual as irmãs se encontram. Elas estão presas a uma profundidade considerável, com pouca visibilidade, sem saber o que a tripulação do navio está fazendo (se foram embora ou estão preparando um resgate), com limite de oxigênio e cercadas por essa verdadeira força da natureza que são os great white sharks.

Esse é um filme de sensações ruins no melhor sentido. Diversas situações transbordam angústia, insegurança, vulnerabilidade, claustrofobia, urgência, medo e desespero. Talvez se contasse com uma direção um pouco mais competente, essas sensações ganhassem maior expressão nas falas das irmãs, em vez de serem sentidas apenas nas cenas sem diálogos.

Praticamente todas as poucas cenas que envolvem os great white sharks (não sei se vocês repararam, mas eu adoro falar essa porra) são tensas e bem feitas, com destaque para as cenas fora da gaiola, já que em diversas situações elas são forçadas a abandoná-la. A obra é um feito e tanto considerando seu baixo orçamento em comparação a produção necessária para gravar com grandes volumes de água, proporcionando bons momentos de diversão.

Medo Profundo entrará para meu grupo seleto? Não, não entrará. Mas apreciei sua inscrição no processo seletivo.

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