Medo Profundo” estreou ano passado no Brasil sem muito alarde, sendo mais um numa lista bem genérica de filmes de tubarão que não se destacam muito. Embora essa temática seja um filão que muito me apetece, o filme falhou em diversos momentos ao tentar entregar uma obra marcante ou até mesmo coesa. Contudo, vale ressaltar que ela criou bons momentos de tensão e eles são o que me fazem voltar e revisitar a franquia com o lançamento de Medo Profundo: O Segundo Ataque.

Estamos no México mais uma vez, na península de Yucatán, costa leste, banhada pelas águas quentes do Golfo do México. Lá encontramos um grupo de alunas do secundário bem diverso etnicamente e que conta com um grupo de 4 meninas – cuja relação conturbada posta no início não apresenta peso algum no decorrer do longa – que resolvem não fazer o tour programado pela escola e se aventuram pelas cavernas alagadas da região. Claro que problemas ocorrem e elas ficam presas nesse sistema de cavernas com alguns tubarões brancos em seus encalços.

Bem, confesso que a premissa me deixou curioso e, do ponto de vista geológico, dialoga com a região, local de sistemas de cavernas subterrâneas alagadas e que se conectam com o mar. Além de uma área inusitada para ataque de tubarão, ainda mais um do porte de um tubarão branco, há ali algo que por si só já é perigoso: nadar nesses locais sem o preparo e treinamento adequado. Essa mistura vai proporcionar duas coisas. A primeira e mais agoniante, é uma sensação claustrofóbica gigantesca. São espaços apertados em um local onde você depende de equipamento para sobreviver e que tem limite de funcionamento, já que os cilindros de oxigênio esgotam com certa rapidez. Ainda explorando o local, contamos também com ruínas maias, deixando interessantes algumas perseguições aquáticas em áreas construídas por humanos que, a princípio, não conta com animais marinhos passeando em seus projetos.

Porém, aí entrando a segunda coisa, mesmo as cavernas sendo um frescor para a fórmula, logo a obra fica sem truques, contando apenas com a baixa visibilidade pela escuridão ou pela “poeira” levantada para criar tensão. Além disso, o perfil dos personagens entrega com muita facilidade quem vai morrer em qual ordem e as mortes em si não são espetaculares, incluindo até uma morte que é um dos maiores plágios que já vi no cinema. Piorando ainda mais a experiência, temos efeitos visuais medonhos, peixes gritando, violações absurdas das leis de Newton e da biologia – incluindo um tubarão branco cego adaptado a viver nesse sistema de cavernas com quase nenhum alimento disponível -, repleto de comportamentos irracionais, gritaria e atitudes questionáveis de nossas personagens. Tudo isso com um final tão merda que te faz questionar porque você ficou assistindo até aquele ponto.

Medo Profundo: O Segundo Ataque até apresenta uma proposta ou outra ok, mas falha tão miseravelmente na execução que nem genérico podemos considerar.

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