Quando paramos para assistir comédias românticas, esperamos nos diverti e tirar um pouco do nosso tempo para não pensar em nada, somente nos distrair. Pelo menos, é nisso que penso. Esse gênero traz para nós um roteiro já pré-definido, ou seja, de que tudo é perfeito e que dará certo, mesmo que algo ainda não esteja nos trilhos. Apesar de não ser apreciado por muitos, principalmente pelos homens, esse tipo de filme nos faz sorrir, faz-nos sentir mais leves e, para as menininhas que cresceram assistindo aos filmes de princesas, é um momento de se acreditar em contos de fadas. E esta película não é diferente, retratando exatamente os clichês tão esperados nas comédias românticas.

Megarrromântico apresenta a história de Natalie (Rebel Wilson), uma jovem que não guarda nenhuma auto-estima. Ela não acredita no amor e, mesmo sendo uma arquiteta aparentemente bem-sucedida, se acha inferior. Após um acontecimento inesperado, ela se encontra em um mundo paralelo onde sua vida é um filme típico das comédias românticas. Natalie, então, inteligente como é, percebe que para se livrar daquele tormento, precisa fazer com que um cara lindo e encantador se apaixone por ela. Entra em cena o cara de fuinha Liam Hemsworth como Blake.

Satirizando os clichês – que é a proposta do filme – o que se segue é a fórmula esperada: o mundo perfeito, onde tudo segue um ritmo leve, com seus conflitos, mas com percalços que motivarão a personagem na busca do nem tão esperado, por ela, final feliz. Porém, diferente do que se espera, o que ela deve alcançar não se resume ao padrão mantido pelo gênero. Apesar de formulaico, esse filme não mergulha completamente nessa onda, trazendo, sim, um discurso leve de empoderamento.

O título conta com a graça inerente de Rebel Wilson e Adam DeVine (que surge em um papel-chave para a narrativa), mais uma vez mostrando que tem controle sobre as gags e o ritmo de uma comédia. Se por um lado o roteiro se baseia na sátira ao clichê, por outro a realização assume a carapuça desse tipo de filme com uma sutil quebra de padrão. O espectador não pode esperar que a produção seja apenas uma ridicularização desses elementos, mas dentro da sua proposta há um flerte íntimo e obrigatório com este estilo cinematográfico.

Megarrromantico, portanto, surge como uma possibilidade de diversão, sátira e crítica, ainda que se assuma, em alguns momentos, uma comédia romântica modelo. O que se destaca. porém, para além de sua proposta narrativa, é o discurso. A felicidade de uma mulher não é encontrar o seu príncipe encantado, ainda que esta figura possa se fazer presente.

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