Em março desse ano estreou nos cinemas brasileiros o longa “Medo Profundo e imediatamente me prontifiquei a resenhá-lo, o que talvez seja um alento para o resto do pessoal do MetaFictions que não ia precisar assisti-lo. Nitidamente era um filme que, caso fosse bom, estaria MUITO além da expectativas deles. Longas pipocas e com temas centrados no mar e/ou tubarões, com raras exceções, costumam deixar a desejar. Aliás, muito eu falei sobre meu interesse nesses temas nessa crítica e recomendo também que você confira nosso Top 10 Filmes de Monstros, com um clássico filme de tubarão ocupando uma posição prestigiada.

Um dos motivos do meu encanto pela temática é o oceano, em especial o fundo do mar, que é um mundo alienígena e completamente hostil. Nossa permanência nele depende de roupas, equipamentos e construções essenciais para nossa sobrevivência e, assim como o espaço, não conhecemos a sua totalidade, mesmo sendo fundamental para a manutenção da vida e fazendo parte do cotidiano das populações costeiras. Em Megatubarão, o diretor Jon Turteltaub nos convida a conhecer uma parte do oceano e uma criatura mais alienígena do que qualquer outra parte ou ser do planeta.

Vamos deixar claro logo de cara que o filme é muito ruim. Desde a sua premissa, passando pelo desenvolvimento, atuações, pesquisa e chegando à conclusão, o longa é uma sucessão de decisões ruins. Isso é bem decepcionante se considerarmos que Jon Turteltaub foi diretor de “A Lenda do Tesouro Perdido“, que mesmo não sendo um Indiana Jones, entretém e possui uma estrutura coesa. O longa se passa na sua maioria em uma estação privada de pesquisa marinha em água internacionais, perto da China, Indonésia e Tailândia. Lá eles querem comprovar uma teoria muito sem sentido do pesquisador Zhang (Winston Chaoque advoga que o fundo do oceânico daquela região é, na verdade, uma camada mais densa e fria de uma composição química que isolou todo um ecossistema.

Uma vez comprovada e já explorando esse novo universo, o submarino de pesquisa é atacado e nosso herói, Jonas (Jason Statham), é chamado para realizar o resgate. Ao conseguir voltar à superfície, ele e os sobreviventes criam uma situação que “liberta” um megalodonte, que prontamente, como você pode ver no trailer, ataca a estação de pesquisa e começa a explorar esse novo mundo das águas superficiais.

O megalodonte foi uma espécie de tubarão gigantesco, o maior que já existiu, e que tinha como presa preferida as baleias (basta ver seu tamanho no comparativo abaixo). Como é um peixe cartilaginoso, os únicos vestígios que temos de sua existência são seus dentes monstruosamente grandes. E podendo se valer do seu tamanho estimado, o longa, assim como muito filmes de monstros, alterna sua escala constantemente dependendo da cena, parecendo dobrar de tamanho em alguns takes, o que te remove qualquer possibilidade de ficar investido na trama, que já conta com personagens unidimensionais que entregam falas vergonhosas e clichês muito mal interpretadas, especialmente pelo elenco asiático que atua ao nível do cigano Igor.

Com uma pegada que alterna entre a comédia e a ação, muito mal dosado e com cenas CGI mal feitas, são raros os momentos que Megatubarão agrada. Realmente, tamanho não é documento.

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