Queria começar essa crítica dizendo que eu gosto muito do Adam Sandler. Trata-se de um ator completo, com um alcance dramático incrível e um timing pra comédia jamais visto antes. Suas escolhas em filmes sempre fazer sentido e ele é possivelmente o melhor ator de sua geração.

Pronto, agora que a galerinha nariz em pé peladora de saco do Woody Allen vomitou e está convulsionando no chão diante dos absurdos que eu falei acima, posso começar propriamente a crítica de Mistério no Mediterrâneo, o mais novo filme do gênero “filme de Adam Sandler estrelado por Adam Sandler e produzido por Adam Sandler”. Tal qual todos os outros filmes desse gênero, esta não é uma produção feita com absolutamente nenhuma pretensão que não permitir ao espectador escapar da realidade por uma hora e meia, dar umas risadas bestas e possivelmente tocar, ser tocado pela(o) parceira(o) durante a exibição sem medo de ficar perdido na trama. E, já adianto, dentro dessa proposta, Mistério no Mediterrâneo cumpre o que promete.

Aqui Adam Sandler interpreta Adam Sandler, o que no longa quer dizer o policial nova-iorquino Nick Spitz, casado há 15 anos com a cabeleireira Audrey (Jennifer Aniston). Os dois vão passar uma lua de mel tardia na Europa e no avião conhecem o lorde Cavendish (Luke Evans), um triliardário inglês que os convida a passar essa lua de mel com ele e demais estranhos no iate de Malcom Quince (Terence Stamp), seu tio e o homem mais rico do mundo, pelo Mediterrâneo.

Está então armada uma trama boba, cheia de reviravoltas clichezentas, que mais se assemelha a uma partida de detetive do que a um filme, pois Quince é assassinado e agora todos são suspeitos. E por todos eu me refiro a série de figuras também clichês desse tipo de trama, mas que aqui são um pouco desconstruídas, como o marajá metido a maloqueiro (Adeel Akhtar) ou o senhor da guerra africano maneta (John Kani). Tudo muito simples, muito lugar comum e corriqueiro em histórias desse tipo. O próprio nome em inglês, Murder Mystery, é o nome do gênero em si, o que talvez indique melhor para vocês o quão genérica é toda a trama.

Contudo, o que essa trama não tem de genérico é justamente a boa química entre Adam Sandler e Jennifer Anniston, além do grande acerto de estarmos vendo aqui talvez o primeiro filme de Adam Sandler que não tenha Kevin James, Rob Schneider ou David Spade no elenco. À exceção de Anniston, que trabalhou com ele no lamentável “Esposa de Mentirinha”, todo o restante do elenco é de gente que eu arriscaria dizer nunca trabalhou com Sandler. E esse upgrade de elenco valeu a pena, com o mexicano Luis Gerardo Méndez (do estupendo Tempo Compartilhado) e o já citado marajá roubando a cena a cada segundo. Isso sem contar que a trama coloca Sandler na posição que ele mais gosto: a do americano meio bronco fazendo pouco do mundo dos ricos e famosos e dizendo o tempo todo que tá com fome pra caralho.

As piadas fluem bem, Sandler parece ter sido contido pelo Kyle Newacheck pra não ficar fazendo aquelas mongolices dele o tempo todo e o roteiro, apesar de bobo, segue bem a linha de ser uma mera desculpa pra que as piadas surpreendentemente politicamente corretas apareçam o tempo todo. Enfim, trata-se de um filme que cumpre seu papel de entregar pela sua hora e meia de duração e sem dúvida é a melhor das comédias de Adam Sandler que a Netflix vem lançando há um tempo.

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