Assim que vi a sinopse do musical No Ritmo da Sedução fiquei animadíssima: uma história de amor passada em Londres, especificamente em Camden, meu bairro favorito da cidade. Além disso, o elenco conta com a talentosíssima Michaela Coel, que interpreta nossa protagonista Simone. A mulher, mãe solteira, conhece Raymond (Arinzé Kene) e fica dividida entre entregar-se ou não, considerando um histórico de coração partido fortíssimo em seu passado.

No entanto, minha hype foi quebrada já de início; as músicas são em sua maioria bastante fracas e o timing pras intervenções musicais, que já são em sua natureza alvo de críticas, são repentinos demais. Fiquei com vergonha-alheia. Tal vergonha foi razoavelmente compensadas pelas tomadas da colorida Camden Town e, por conseguinte, a gostosa sensação nostálgica que me bateu.

Enquanto rola a história principal entre os dois há uma falha tentativa de desenvolver os personagens secundários. A começar pela melhor amiga de Simone, Yvonne, que é o estereótipo da mulher bem resolvida: fogosa, saideira e excêntrica. De maneira rasa, sua história vai questionando se aquilo lhe basta. Meh.

Ainda mais superficialmente temos outras duas questões em paralelo:  a da filha de Simone, Mandy, que é inacreditavelmente madura para uma menina de 9 anos e decide reencontrar o pai ausente e esculachá-lo. E, por fim, um lunático que ronda pelas cidades de Londres à procura de vingança por… ter tido seu coração partido. Acho que o humor britânico foi longe demais e, pasmem, não funcionou.

Yvonne e o doidão andarilho trocam uma ideia sobre a vida.

O tema em si é interessante: aquela velha e comum história de fechar-se emocionalmente diante de um trauma do passado. Não é difícil identificar-se com isso, ainda que você não tenha uma filha ou não viva em Camden. Observei que sou bastante Simone faz um tempo e que qualquer “ameaça” de me tocarem mais do que o corpo é aterrorizante. No entanto, isso não quer dizer que, tal como Simone, não exista a capacidade ou ainda a vontade de entrega.

É uma pena que essa identificação não seja o suficiente para fazer com que o longa funcione. Talvez se não tivessem inventado de ser um musical passaria como um bom filme de comédia-romântica, ainda que batido. Porém, resta-nos lidar com a brilhante ideia de algum lad britânico que acordou cantarolante, rodeado de passarinhos enquanto tomava chá preto com leite.

Vocês bem que podiam não cantar, não é mesmo?

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