De uns tempos para cá, desde que “A Bruxa de Blair” viralizou bizarramente, tornando-se uma daquelas máquinas de fazer dinheiro a partir de um “nada” de investimento, diversos títulos de terror associaram o mesmo tipo de narrativa com o gênero. Um público certo junto com uma forma barata de se contar a história parece uma fórmula sedutora demais para se deixar de lado. O resultado disso é um sem-número de filmes de terror feitos a partir de uma câmera na mão do protagonista. Dessa forma, falta de recursos e possíveis falhas técnicas viram linguagem e todo e qualquer amadorismo é perdoável. No entanto, poucas são as realizações que conseguem algo realmente significativo como foi o caso de “La Casa Muda”. O novo filme alemão O Manicômio tenta enveredar por aí.

Partindo de uma premissa deveras interessante, o filme apresenta uma instalação onde os nazistas realizaram experimentos cruéis com pacientes e que atualmente está desativada e fora do alcance de transeuntes. Eu considero sempre interessante quando os próprios alemães resolvem, de alguma forma, falar de seus próprios medos e feridas, já que tantas outras nações falam disso sem parar. A expectativa crescera ao ler a sinopse. E falando em medo e feridas, a própria obra faz uma alegoria acerca disso: um grupo de youtubers propõe entre si invadir o local e passar a noite filmando-se uns aos outros para que enfrentem seus maiores medos; nesse caso, não a história passada do Nazismo, mas a suposta assombração de almas penadas que ainda estão ligadas àquelas alas.

E vai rolar a festa!

Portanto, temos o clássico sendo repetido uma outra vez: uma molecada que leva câmeras e mais câmeras (aquelas de ver no escuro, aquelas que criam imagem a partir de calor e as tradicionais) e tentam provocar os tais espíritos a se manifestarem. A narrativa vai se desenvolvendo à medida em que várias sequências que deveriam ser mais assustadoras do que, de fato, são se desenrolam. Sons, aparições, visões que só um vê e não consegue provar para os demais, mariposas (sempre tem algum besouro nessas histórias) e quase nada de aprofundamento de personagens (que não são poucos). Esses são os elementos (in)explorados durante os 90 minutos de história.

Tudo aquilo que me deixara animado a priori com a produção se revela uma simples premissa: nada das questões por trás da crueldade dos experimentos nazistas é explorado. É tão somente uma carcaça historicamente elegante para justificar a ida dos personagens ao local (que poderia ter sido qualquer outra instalação semelhante; isso é o que não falta). As assombrações de pacientes, da mesma maneira, não tem qualquer atenção por parte do roteiro, sendo deixadas de lado por completo (mais uma justificativa tão somente para as supostas atividades paranormais que ocorrem a todo instante). E o que restou, que são os personagens, como já dito anteriormente, tampouco mereceram a preocupação dos realizadores do filme. O que sobra é… nada.

É o fundo do poço, mesmo.

E esse nada que nos restou ainda é piorado por uma conclusão que se pretende surpresinha e não se encaixa com algumas partes observadas durante o conto. O Manicômio, portanto, é um daqueles filmes que pem a prova o quanto uma fórmula de nada significa se você não souber aplicá-la. Uma obra de terror que revisita tantos lugares comuns e erra com convicção na forma com que rege os elementos do gênero. Com uma premissa promissora, o resultado é um tanto quanto patético. Uma pena, parecia ter tanto potencial.

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