Carlos (Raúl Arévalo) é advogado de uma grande empresa petrolífera, tem uma vida confortável em Bruxelas, está prestes a ser pai e viver o auge da sua carreira em Nova Iorque, quando é intimado a ir em missão à África como que um salvador, pois um famoso engenheiro da Stoneoil, empresa onde trabalha, foi sequestrado pelo grupo armado Zandes da República Democrática do Congo e até que tudo se resolva de forma pacífica a economia da multinacional fica fortemente comprometida.

O novo longa espanhol da Netflix conta uma história quase nada surpreendente sobre um protagonista branco e bem sucedido que precisa intermediar uma negociação envolvendo segredos políticos sujos e um velho amigo. Em meio a essa história já contada muitas outras vezes (afinal de contas não é novidade pra ninguém que onde há o tal combustível fóssil, há corrupção e escândalos) o diretor e roteirista Esteban Crespo levanta uma questão absolutamente relevante sobre a hipocrisia no regime político muito conhecido por nós, brasileiros, a democracia, porém exposta de forma confusa e rasa. No filme, os direitos de liberdade individual, de opinião e expressão são totalmente destruídos, no entanto, essa temática não tem força, se arrasta por quase duas horas e infelizmente se perde em meio a conflitos pessoais comuns na vida do protagonista.

A trama se esforça pra prender o espectador de alguma forma, apresentando, dentro de uma bela fotografia, práticas completamente equivocadas nos sistemas político e carcerário, comportamentos abomináveis de misoginia provocando uma inegável regressão contínua na sociedade africana, no entanto tudo que envolve as questões passíveis de reflexão fica em último plano e voltamos mais uma vez a tentativa exaustiva de transformar o europeu no herói que salva o colonizado do mal que ele mesmo causou e o mantém sem voz.

Infelizmente O Mediador é mais do mesmo com pouquíssima ação e zero profundidade e eu não diria que vale o investimento de seu tempo.

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