Quando você pensa em magia/ilusionismo, o que vem a sua cabeça? Na minha imediatamente vem Gandalf, the Grey, um dos maiores magos da história literária. Poderia citar diversos outros, indo desde a modinha do século XXI “Harry Potter“, passando pelos obscuros e realistas Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) de “O Grande Truque“, até o badalado e batido Mickey Mouse de “Fantasia“. Esse é um tema que transcende gêneros, gerações e mídias, tendo na adaptação da obra de John Bellairs seu mais recente capítulo.

A proposta do longa é simples. Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro) perde seus pais e vai morar com seu tio em um casarão com fama de assombrado. Completando o estereótipo de um protagonista deslocado, ele atende a todos os requisitos: não tem amigos, tem comportamento excêntrico, está constantemente buscando aceitação das pessoas populares e vive fazendo merda justamente no único local no qual explicitamente foi dito que ele não poderia.

Esse tal zona proibida para cagadas fica num cômodo na suposta casa assombrada, mas que na verdade é uma espécie de Castelo Rá-Tim-Bum gerida com muita magia e detentora de segredos obscuros de seu antigo morador. Ao descobrir que seu tio (Jack Black) e a amiga Florence (Cate Blanchett), que divide a casa com ele, são magos poderosos, inclusive se apresentando como ilusionistas famosos antes da 2a Guerra Mundial, ele é iniciado na marota arte da mágica. Nessas lições, contemplando belas cenas como na imagem acima, é dito que ele não poderia em hipótese alguma mexer numa estante trancada na biblioteca. Claro que ele desobedece e temos aí a ruptura que transforma um longa de auto descobrimento em um pela luta para salvar o planeta Terra.

É uma película nitidamente feita para um público infanto-juvenil. Contudo, ela falha ao motivar Lewis em suas aventuras. Não há grande construção de sentimentos penosos no menino, parecendo que ele age de certas formas apenas para o roteiro andar para frente. Falta carisma na obra, que não desperta empatia por personagens centrais, embora o elenco adulto seja muito bem escalado.

A maravilhosa em todos os sentidos, platinada, elegante e centrada Cate Blanchett, é disparadamente a personagem pela qual mais torcemos, muito pelo seu passado trágico durante a guerra, fazendo um contraste com as recentes responsabilidades adquiridas por Jonathan. Por sua vez, Jack Black continua um verdadeiro tiozão, incorporando alguns trejeitos do mentor consagrado por ele tanto em “Escola de Rock“, quanto em “Tenacious D – Uma Dupla Infernal“. Mas, mesmo com esses dois magos da atuação (há!), o filme demora a entregar um vilão e quando o faz se vale de um plot twist bem safado, transformando apenas seus últimos 25 minutos em uma experiência recompensadora.

Mesmo entregado um produto final que tem seus pontos positivos, O Mistério do Relógio na Parede passa sem deixar nada marcante para a cultura pop. Daqui há 5 anos se alguém te perguntar “Quando você pensa em magia/ilusionismo, o vem a sua cabeça?” a sua resposta será exatamente a mesma.

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