E lá vem a volta da “lenda” Rocky Soraya, o mestre do terror da Indonésia, com seus filmes longos, de mesma estrutura e sempre falando de espíritos e possessões. Certamente que as alcunhas de “lenda” e “mestre” foram dadas por mim, de forma jocosa, a brincar com os vários títulos que a Netflix disponibiliza dele; além do que ter um nome desses não é para qualquer um mesmo. De todo modo, mais um lançamento de Rocky, mais um terror, e mais uma vez eu enfrentando a experiência de duas horas que o rapaz nos proporciona. Dessa vez, continuando o conto das irmãs que tiveram (no bom sentido, claro) seus terceiro olho abertos, conforme acompanhamos em O Terceiro Olho.

Antes visto como uma maldição, nossa protagonista Aila (Jessica Mila) passa a ver esse dom como uma forma de ajudar as almas penadas que não encontram seu caminho no plano espiritual, tendendo a permanecer no mundo material para assombrar aqueles que, de alguma forma, foram responsáveis por seus traumas em vida. Mas a proximidade com eles, nessa ação caridosa, pode ser demasiado perigosa. A confirmação vem com mais uma perda para nossa personagem principal, sendo o diretor Rocky Soraya cruel a ponto de exterminar, nos dois títulos, toda a família de Aila. Agora sua pequena irmã Abel (Bianca Hello) fora vítima de uma assombração. Isso leva nossa heroína a ir para um orfanato, onde presencia a atividade paranormal de uma entidade muito poderosa. Seu objetivo de salvar as crianças do local e tentar redirecionar o espírito raivoso e zombeteiro ao seu plano devido resultará em uma revisitação de seus traumas, a ponto de consumi-la em ódio e vingança.

Uma terceira com o terceiro olho aberto.

Como já dito na introdução, a narrativa segue o mesmo padrão do anterior e – se não me falha a memória – dos principais título de Rocky Soraya como Boneca Maldita, também disponível na Netflix. Pautando-se tão somente no terror pelo terror, ele esboça alguma tentativa de profundidade de seus personagens, mas sempre dando muito mais atenção aos sustos e à tensão. Quando tudo parece inexplicável, o menino coloca ali um flashback didático, dando toda a coerência à história (que, na verdade, muitas vezes mostra alguns buracos a respeito dos quais não falarei para evitar spoilers). Até aí, tudo bem. Essa é a lógica principal dos fillers de terror. Sabemos, de antemão, que a maioria dos títulos são produzidos como mera forma de entretenimento e isso, na real, não pode ser considerado demérito. No entanto, chega uma hora que cansa.

E falando em ser cansativo, a “lenda” Rocky Soraya abusa disso nesse O Terceiro Olho 2. Com suas quase duas horas de duração, para um filme de terror simples (o que normalmente bate 1h30min-1h40min), a produção parece que tem diversas conclusões. Quando chega àquela sequência em que você pensa “é aqui que ele vai cortar para os créditos”, ele te surpreende com mais outra sequência. E isso, ao menos, umas três vezes. Seu desejo por alongar demais algumas cenas e mudar o foco da narrativa durante este percurso vai causando certo incômodo no espectador, que, em determinado momento, suspira objetivando ver as letras que sobem em fundo preto. Mas isso tudo parece compor a vontade dele de dar uma “mensagem”, uma “moral da história”, que, nesse título, é até interessante.

Círculos e velas nunca podem faltar.

Como se não bastassem todas as revisitações e recriações em sua narrativa, a conclusão tem que ser aquela que sugere uma nova continuação. Se na crítica do primeiro filme eu falei que Rocky parecia se inspirar decididamente em James Wan, parece-me que neste episódio 2 ele deixa muito claro que fará de “O Terceiro Olho” sua franquia a la “Invocação” ou “Sobrenatural”. Resta saber se a parte 3 (que, aparentemente, terá) será mais uma longa chuva no molhado. Mas, se assim for, lá estarei eu, uma vez mais!

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