Sabe quando você começa uma série e de tão ruim que é o 1o episódio você sabe que independente do que mude será uma experiência penosa até o fim? Essa foi a sensação que tive ao assistir a 1a cena de Obsessão Secreta. Sabia que embarcaria numa película trash quando fui engolfado naquele clima clichê que preenche o ar do cenário mais ordinário possível que você pode imaginar. Lembra dos filmes slashers dos anos 90? Aqueles que começavam sempre de noite, com chuva torrencial e raios caindo numa frequência tão intensa que quase disparam um ataque epilético, uma garota indefesa tomando decisões questionáveis e aquela trilha sonora manjada que sobe uns tons no momento do jump scare? Ah! Claro… tendo como centro alguém que não é possível identificar indo calmamente atrás dessa garota? Pois bem… lembrei dessa geração de filmes de terror e suspense a todo instante enquanto contemplava uma imitação barata e sem substância que nada acrescentou em minha vida (tirando tempo perdido).

Contudo, quebrando levemente o paradigma, nossa menina da cena de abertura escapa de seu agressor após ser atropelada em sua tentativa de fuga, acabando em um hospital com mais gesso do que teto de cozinha e sem memórias devido às hemorragias cerebrais, que, mesmo não sendo médico, suspeito que causariam mais do que só amnésia. Tudo o que sabemos é que o nome dela é Jennifer (não farei essa piada), já que a extensão da perda da memória apaga todos os acontecimentos recentes ou importantes, com ela tendo dificuldades de lembrar até de seu marido Russel. Jennifer sequer lembra que fugia de um ataque, sendo seu caso registrado como acidente.

Porém, Frank, o policial que tem um histórico do qual se martiriza (e que aqui serve de porra nenhuma), quer saber o que ocorreu e começa a cavar detalhes no caso que qualquer criança de 5 anos descobriria mais rápido do que dormiria vendo esse filme. Enquanto isso, Jennifer está num processo importante de recuperação, com flashes nada reveladores que só causam desconforto no telespectador insinuando que algo muito grave ocorreu, para lá no final tentar puxar seu tapete e falhar miseravelmente.

Obsessão Secreta é tecnicamente ruim. As atuações são caricatas, mostrando uma péssima direção dos atores que sempre estão reativos de forma exagerada a qualquer coisa, o roteiro é constrangedor em diversos momentos, com situações mal construídas ou inacreditáveis demais para estarem ocorrendo, a trilha sonora é muito mal encaixada, parecendo trabalho de fim de curso de faculdade, e fora que toda a situação que permite que exista o longa é completamente impossível de ocorrer sem que ninguém questionasse. Um exemplo claro de que tudo nesse longa tá errado é o modus operandi de nosso obsessor. Ele mata pessoas que possuem envolvimento limitadíssimo na trama e conhecimento do que ocorreu, mas quem bate na porta dele colocando dedo em sua cara o acusando sequer ele imobiliza.

No soma de tudo, talvez esse longa seja um dos piores do ano que vi junto à “A Sereia: Lago dos Mortos“. Durante suas quase 1h40min de duração, num filme de suspense, não há surpresas, com o roteiro entregando tudo de mão beijada, de forma largada, tirando a maior parte do mistério que a película mantinha. Obsessão Secreta é ruim porque tenta se levar a sério, não servindo nem para alívio cômico como os longas indonésios de Rocky Soraya. Infelizmente só me resta terminar essa papo com um trocadilho tão ruim quanto a obra em questão. É melhor você procurar a Jennifer no Tinder (não resisti).

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