Previously On My Block, conhecemos uma turma da pesada, vivendo as mais eletrizantes aventuras no bairro mais loco de Los Angeles. Parece aquela narração panaca de propaganda de Sessão da Tarde, né? Então… No fim da primeira temporada tudo o que poderia ter acontecido em todas as séries do mundo aconteceu. Teve gente baleada no meio de uma festa de quinze anos, teve tesouro desenterrado, teve anão de jardim, maconha, cachaça, punheta, paixões adolescentes e mãe desaparecida aparecendo. A segunda temporada começa exatamente onde a primeira acabou e segue precisamente no mesmo rumo. Não que isso seja qualquer surpresa ou algo ruim.

A série parece que foi criada para ter o formato de algo que veríamos à tarde na TV, junto com “Super Vicky” ou “Punky, a Levada da Breca” (Nota do Editor: Sim, o escritor dessa resenha tem mais de 40 anos), ou seja, haverá uma linearidade na narrativa e os eventos revolverão ao redor dos mesmos dramas. A linguagem, claro, foi atualizada e há palavrões às pencas e referências a drogas, bebidas e peitinhos porque, convenhamos, o mundo adolescente não é mais (nem nunca foi) tão inocente assim.

Nesse segundo ano (e a temporada acompanha o ano letivo dos jovens) somos confrontados com as óbvias consequências do tiroteio na Quinceanera de Olivia e a história consegue lidar de forma leve com a tragédia ocorrida, criando momentos sensíveis e humanos sem se transformar num drama, o que, convenhamos, seria bastante mais realista. Monse, a personagem que mais cresce na narrativa (claro, sendo a única menina do grupo ela amadurecerá mais rápido que os meninos) se aproxima de sua mãe desaparecida e começa a descobrir a verdade sobre sua partida e sobre o relacionamento dela com seu pai.

Como consequência da desobediência de Cesar, os Santos expulsam o rapaz e este, sem teto, passa de casa em casa, sendo obrigado a aturar as maluquices dos amigos enquanto tenta encontrar um lugar para viver. Jamal está dividido entre a alegria e o medo de ter encontrado o tesouro do roubo do RollerWorld. Várias coisas inexplicavelmente ruins começam a acontecer e o garoto passa a acreditar que há uma maldição associada com o dinheiro, que traz azar a todos os que o tocam.

Há uma alternância entre a seriedade e a comédia quase pastelão que às vezes funciona, criando situações divertidas ou mesmo inteligentes, e outras que simplesmente parecem sem razão de ser. O resultado final, como na primeira temporada, é divertido e agradável de se assistir. Em especial por se passar fora do mundo branco de classe média americano, com o qual a série faz várias piadas devolvendo os estereótipos de forma bastante inteligente e atual. O fim da temporada, é claro, tem que terminar em outro cliffhanger que, “ié-ié!”, deveria deixar a gente com mais vontade ainda de assistir à terceira temporada, mas que parece mais um artifício desnecessário e previsível. A série é interessante o bastante para sobreviver sem pegadinhas e, se as ignorarmos, pode ser bastante divertida de se assistir por ainda mais algumas temporadas.

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