Se você já experimentou passar algumas horas completamente isolado de comunicação, com o celular desligado ou sem bateria e sem ter dito para as pessoas onde você estaria e que horas voltaria pra casa, certamente lembra da bronca enorme que levou dos seus amigos e familiares, que o acusaram de fazer sua pobre mãe passar nervoso. No desespero de saber de você, as pessoas que te amam ligaram até mesmo para hospitais e para outros conhecidos, na esperança de ter notícias suas.

Isso acontece primeiro porque vivemos numa sociedade violenta, na qual não sabemos o que pode acontecer quando saímos de casa mas, principalmente, pela incapacidade humana de lidar com o silêncio, com o não-saber. A ausência injustificada, o desaparecimento enigmático sem resposta são capazes de criar verdadeiros dramas que apenas quem sofre tem ideia do que representam. Eis a premissa de Onde Quer Que Você Esteja, longa nacional escrito e dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa.

O longa narra a história de perda de várias pessoas, que recorrem a um programa de rádio semanal para tentar obter notícias e se comunicar com seus parentes. Na sala de espera da rádio, os personagens se cruzam e dialogam, compartilhando a dor da ausência e da incerteza sobre o paradeiro de seus entes queridos. Os temas em foco na narrativa são a saudade que essas pessoas experimentam e a experimentação da angústia da ausência e ao mesmo tempo da esperança de um dia encontrar quem se perdeu.

Em termos gerais, a proposta do longa é interessante e, a princípio, inicia bem a trama mostrando a rotina de pessoas que lidam com a perda de um familiar em seu cotidiano, apresentando diálogos pertinentes – vemos o desespero misturado à esperança nas mães que perdem seus filhos e a solidão diária de quem perde um companheiro. Mas, ao decorrer do tempo, o filme se torna arrastado e enfadonho, e as atuações questionáveis de alguns atores incomodam bastante.

Sendo derivado de um curta, me pareceu evidente em alguns momentos o tom “caseiro” de baixo orçamento da produção, que tem uma edição e fotografia bem ruins. O próprio tema central parece se perder numa narrativa que logo se torna cansativa e novelesca, o que é uma pena para o cinema nacional, que perde mais uma vez a chance de apresentar algo marcante e original.

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