O YouTube chegou ao Brasil com conteúdo pago recentemente, liberando produções originais em sua plataforma YouTube Originals (que lá fora era conhecido como YouTube Red) a um preço semelhante aos dos seus concorrentes, mas com alguns benefícios extras. Caso você seja uma daquelas pessoas que passa horas por dia vendo vídeo, saiba que ao assinar o pacote Premium você ganha direito de assistir aos vídeos sem propaganda alguma, pode usar todos os recursos do YouTube Music – que apresenta um biblioteca vasta, apesar do player ainda não ser tão bom quanto o dos seus maiores concorrentes – e ganha acesso ao seu conteúdo original, como o da 1a Temporada de Origin.

Estamos diante da primeira grande produção do YouTube, que conta com nomes reconhecidos a frente e atrás das câmeras. Produtores de “Lost” e “The Crown” e o diretor Paul W.S. Anderson, conhecido por fazer filmes de sci-fi e terror como o icônico “O Enigma no Horizonte” e toda a franquia “Resident Evil” no cinema, ditam o tom da série, muito obscuro e submerso em ficção científica.

Temos aqui um cenário muito familiar. Uma empresa quer enviar pessoas ao planeta Thea – único descoberto capaz de suportar vida humana – para colonizá-lo. Como é uma viagem arriscada e, segundo a série, não atrativa, poucos são os voluntários, forçando a empresa a aceitar qualquer um com histórico de problemas com a justiça ou de condições médicas não recomendáveis. Traçando um paralelo com as grandes navegações, como diria a minha antiga professora de literatura: “Putas e ladrões. O Brasil foi formado por putas e ladrões que vieram pra cá porque ninguém queria se arriscar a atravessar o oceano. Por isso o Brasil é assim.” Será que Thea vai acabar como o Brasil?

Contudo, durante a viagem, um acidente – que estatisticamente é impossível de ocorrer, confira o vídeo no final da crítica – força a evacuação da nave, mas deixa para trás alguns tripulantes feridos e um grupo cujas cápsulas apresentaram um “mal funcionamento”, acordando-o em vez de ejetá-lo. Esse heterogêneo grupo precisa descobrir o que aconteceu e como fazer para conseguir chegar ao planeta. Só que eles não estão sozinhos. Durante esse acidente algo embarcou na nave e identificá-lo se torna bem difícil, já que ele toma posse do corpo das pessoas, inciando uma paranoia num grupo composto por pessoas escrotas.

Origin tenta se valer de diversos clássicos sci-fi e space horror. Estamos em uma nave gigantesca parcialmente abandonada, como no próprio “O Enigma no Horizonte” e “Passageiros”, há uma presença extraterrestre matando os sobreviventes, como em “Alien” (e se você curte a franquia veja nossos quadros e críticas), a paranoia de não saber em quem confiar e de estar confinado em um ambiente hostil é constante, como em “O Enigma de Outro Mundo“, e o presente da série se passa num futuro um tanto cyberpunk, como nas cidades retratadas em “Blade Runner“.

Mesmo apoiado nesses clássicos, Origin peca em alguns aspectos. Talvez o que mais chame atenção sejam as atuações e os diálogos mal dirigidos, que soam pobres e artificiais. O elenco até conta com alguns rostos conhecidos, como o Tom FeltonNatalia Tena e Jóhannes Haukur Jóhannesson – respectivamente o Malfoy de “Harry Potter”, Osha de “Game of Thrones” e Steinar de “Os Inocentes” -, mas até esses atores que costumam entregar boas atuações ficaram devendo.

Além disso, há um excesso de conveniência e variedade. Quase todos são especialistas em algo muito útil para aquele momento e todos são pessoas com terríveis histórias, sendo por trauma ou por maldade. Vamos descobrindo o passado perturbador de cada um por episódio, com flashes que cobrem quase a metade do tempo de exibição, o que acabava por tirar a imersão da nave tenebrosa e escura para muita vezes me jogar num lugar florido e ensolarado no meio da França. Apesar de a todo momento (res)significar algum personagem após você conhecer melhor seu passado, essa alternância de ambientes – salvo quando éramos levados para cidades cyberpunks que dialogam com o clima na nave – não contribuiu para criar uma identidade visual para série.

O ritmo também não é constante. Tentem não desanimar durante os episódios iniciais, que de fato são os piores e corridos. Eles apresentam o máximo de informação e estabelecem seus protagonistas e seus muitos coadjuvantes, mas lá para o 5o episódio temos um ritmo desacelerado e mais agradável, dedicando mais tempo para os mistérios que cercam suas condições. No geral, o YouTube conseguiu produzir uma obra tecnicamente interessante (você não verá aqueles painéis toscos piscando luzes aleatórias ou verá efeitos visuais de segunda), mas nitidamente faltou um norte quanto à forma de contar essa história.

Dito isso, Origin não marcará os anais do sci-fi, mas também não é uma obra para quem gosta da temática a ser ignorada. Torcemos por uma 2a temporada.

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