Vamos nos encaminhando para completar 2 décadas dominadas por filmes de super-heróis, que, diga-se de passagem, continuam triunfando nas bilheterias sem demonstrar sinais de cansaço. Tamanho é o seu vigor que nem um “Batman & Robin” seria capaz de afundar o navio. No entanto, se olharmos mais atentamente para os universos que dominam o cenário, vemos que a DCU (DC Universe) – administrado pela Warner – vem tropeçando pela maior parte do caminho. Muitos problemas podem ser apontados em seus longas, como roteiros mal concebidos, direção problemática, interferência dos produtores e um tom do universo que não sabe bem onde repousa, gerando reflexo nas bilheterias, na falta de apreciação dos críticos e dos fãs (mas aqui no MetaFictions temos dcnautas ardorosos que afirmam categoricamente que “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é uma obra-prima).

Já no departamento de animações, a DC prospera como nunca com uma qualidade e assiduidade elevadas de lançamentos adaptando arcos icônicos, como “Batman: A Piada Mortal“, e produzindo séries, como “Os Jovens Titãs em Ação!“, que recebe continuidade no filme Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas.

De antemão gostaria de deixar claro que eu via muito esporadicamente os Jovens Titãs, que nitidamente segue um direcionamento focado no público infanto-juvenil. Então era de se esperar que o tom leve, piadas um tanto bobas e um roteiro descomplicado formassem a base do longa, que lembra um episódio estendido da série (vide o nome do filme). Embora isso cumpra uma função importante e deixe pouco para margem de manobra criativa, a obra conseguiu arrumar um espaço para tirar muito sarro da indústria na qual está inserida de uma forma que eu não esperava.

A trama se desenvolve com os meninos buscando reconhecimento e tentando sair das sombras dos gigantes – Super-Homem, Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde e Batman -, partindo da premissa que, ou eles servem para serem coadjuvantes nas lutas contra grande vilões ou para lutarem contra vilões coadjuvantes. É aí que entra o vilão escolhido a dedo para o filme, o Exterminador. Além dele ser um personagem consagrado dentro da série “Jovens Titãs”, ele é visto nos dias de hoje quase como uma cópia do Deadpool (confira a crítica aqui!), inspirando um trailer divertidíssimo dele esculachando o falastrão.

Esse reconhecimento aos olhos dos Jovens Titãs APENAS se concretizará caso eles protagonizem seu próprio filme, já fazendo uma alusão aos longas dedicados aos grandes personagens, salvo um ou outro. Muito embora Robin (Scott Menville) e Ciborgue (Khary Payton) já sejam relativamente bem conhecidos (porque já apareceram em blockbusters – há!), Ravena (Tara Strong), Mutano (Greg Cipes) e Estelar (Hynden Walch) ainda lutam para chegar ao mainstream. A obra foca prioritariamente em Robin, o único não super-poderoso e reconhecidamente escudeiro de um grande herói. Há uma preocupação em mostrar seus amigos com poderes absurdamente OP (overpowered), em um contraste que exalta o caráter dele como sua maior virtude – que vira alvo dos jogos mentais do Exterminador – sendo o membro da equipe mais maduro e focado.

O grande trunfo da animação é a consciência de onde ela se encontra perante a indústria. Estamos falando de um filme de herói sobre heróis querendo ter um filme de herói para serem reconhecidos como heróis. O longa é tão meta que a maior importância dada ao Robin resulta em um longa sendo rodado para o próprio personagem dentro do próprio filme. Isso sem falar nas quebras da 4a parede, as zoadas divertidas nos personagens da Marvel, com uma aparição hilária do Stan Lee, e, obviamente, com os ícones da DC, como o Monstro do Pântano e o Aquaman sendo bagunçados. Quase como se estivéssemos nos bastidores vendo os animadores sacaneando o trabalho dos outros.

Contudo, mesmo apresentando essa engraçada ciência de si (como no poster abaixo), o longa não apresenta uma trama envolvente e nem é empolgante, com a exceção dos últimos 20 minutos frenéticos de lutas bem curiosas. Aaron Horvath e Peter Rida Michail, ambos envolvidos na série, mostram que é possível fazer uma obra que funciona sem você conhecer nenhum dos personagens, mas que ganha outros contornos caso você esteja mergulhado nesse mundo geek. Você nem precisa ficar no celular se estiver levando seu sobrinho!

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