Para Todos os Garotos que Já Amei” é um filme doce de comédia romântica adolescente, que conseguiu seu alcance no público pretendido. Sendo um filme bem feito e com gags no ponto, contando ainda com atores carismáticos em boas performances, o fato de ser uma adaptação de um best-seller já fazia com que a obra encontrasse terreno fértil. Tão fértil que gerou sua continuação, o novo lançamento da Netflix, Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você. E se você gostou, já fica no aguardo, porque a terceira parte (olha o streaming já investindo nas suas trilogias, aí), “To All the Boys: Always and Forever, Lara Jean” está na pós-produção.

Se na primeira parte nossa protagonista Lara Jean (Lana Condor) era a esquisitinha isolada da escola que se apaixonava por garotos, mas guardava as emoções para si, no segundo capítulo ela está mais solta, descolada e experimentando o que é ter um relacionamento pela primeira vez. No entanto, uma vez outcast (excluída), sempre outcast. Há certos sentimentos que te travam quando na infância ou adolescência, que, ao crescer, ainda que você tenha mudado completamente, continuam a causar as sensações de antes. Alguém que se sentia inferiorizado por determinado aspecto de sua aparência sempre tenderá a regar este sentimento, ainda que não tenha mais daquela característica. Ainda que inconscientemente, ele ficará ali, martelando, insistente… e sem sentido. Lara Jean, portanto, está namorando o popular Peter (por Noah Centineo, o menino dos olhos da Netflix), tentando entender o que é um relacionamento e descobrindo o que fazer dia após dia com um namorado. Sua confusão aumenta quando ela recebe, do nada, a resposta de uma das cartas enviadas para os crushes de antigamente, lá no primeiro filme. E, para sua surpresa, é de John Ambrose (pelo simpático Jordan Fisher), quase se declarando a ela.

O novo casal.

Perguntando-se se responde ou não, se comenta com Peter ou não, Lara Jean se depara com John Ambrose, quem se inscrevera para o mesmo trabalho voluntário que ela, armando um reencontro depois de muitos anos. O flerte é instantâneo, a troca é clara. No meio de uma tensão amorosa entre os dois, fica o perdido Peter, que ora parece completamente apaixonado por Lara, ora parece não estar interessado. O novo relacionamento, portanto, passa por um abalo imediato tão logo se dá a chegada de Ambrose e nossa protagonista fofa começa a refletir sobre si mesma e sobre seus sentimentos. Poderia ela estar apaixonada pelos dois ao mesmo tempo? Seria isso tão somente a fraqueza da carne? Ou seriam seus sentimentos pautados pela sua insegurança, de forma que ela escolhera o primeiro que apareceu? Muitos acontecimentos irão fazer a personagem repensar suas atitudes, as atitudes dos crushes e sua perspectiva acerca das coisas.

Apesar do grande destaque deste filme ser exatamente como as fragilidades de Lara Jean fazem com que ela tome certas decisões, equivocadas ou não (dependendo do ponto de vista de cada um), o desenvolvimento narrativo peca pela falta de intensidade. Quase que inversamente proporcional à intensidade dos sentimentos de uma adolescente, assim é a maneira como a tensão da obra é passada ao espectador. Tudo acontece tão repentinamente que, diferente de sua primeira parte, é quase impossível de se “saborear”. Os conflitos vêm e vão e parece que nem mostraram a que vieram. O único deles que se mantém é o principal: se Jean realmente está abalada sentimentalmente pela chegada de Ambrose ou se isso é apenas fruto de uma menina que sempre se viu machucada por ter sido a eterna excluída na escola. Mas os pontos de sustentação da narrativa, para que esse problema principal fosse intensificado, são meros momentos de passagem, que tornam o desenrolar da história muito pouco envolvente. Completamente diferente do que fora o debut.

O outro vértice do triângulo.

Comédias românticas, em especial as americanas, sempre buscam a conclusão feliz, para que todos saiam da exibição contentes com o que viram. Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você, porém, coloca um leve amargor ao doce de sua conclusão, dando tons mais interessantes a uma história simples e ingênua (como deveria mesmo ser). Apesar da sensibilidade em relação a este ponto e, principalmente, em relação ao tema central da narrativa, a falta de cadenciamento no desenrolar da história nos faz ficar com um pé atrás para a chegada de sua terceira e – assim esperamos – definitiva parte. Em especial, porque será assinado por Michael Fimognari, o mesmo diretor do novo lançamento, e não pela realizadora do primeiro, Susan Johnson. Talvez tenha faltado a sensibilidade do olhar feminino para se contar um pouco mais da história de Lara Jean.

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