Se você acha que a violência não resolve nada, é porque você não foi violento o suficiente.

Resolvi começar esta crítica logo com este belo aforismo do bandido Mehdi (Sami Bouajila) já pra prestar um serviço aos fiéis leitores do MetaFictions. Essa sentença desse senhor é ao mesmo tempo o melhor e mais inspirado momento dos intermináveis 93 minutos de exibição de Paradise Beach e também uma promessa completamente vazia de um filme que promete muita violência, mas entrega só uma trama rocambolesca, vazia, pueril, besta e mais qualquer outro sinônimo nesse sentido.

Temos aqui uma narrativa bem clichezenta e direta. Mehdi e seus amigos fazem um assalto logo no início do filme, Mehdi é baleado e fica pra trás. Quinze anos depois, ele vai até a paradisíaca ilha tailandesa de Phuket encontrar seus comparsas e a partir daí um monte de merda começa a ser jogada no ventilador, tanto no que se refere às altas confusões nas quais a galera acaba se metendo quanto também à qualidade do roteiro, direção, atuações e da trilha sonora. Puta que me o pariu, que trilha sonora desgracenta, onipresente, exagerada e genérica.

Aqui teremos todos os lugares comuns dos filmes que tentam mostrar a realidade nua e crua da bandidagem, incluindo gente se sentindo traída e tomando decisões estapafúrdias e reuniões em clubes de strip-tease que bizarramente não mostram um peitinho sequer, o que se faz ainda mais bizarro e inexplicável quando há uma cena de sexo gratuito em outro momento. Ora, que sentido faz mostrar duas pessoas transando de forma até bem explícita – numa cena em que o rapaz reclama porque tem um cachorrinho lambendo o seu butico – e ser injustificadamente pudico nas (muitas) cenas com tailandesas dançando com pouca roupa e de forma lamentável?

Enfim, o roteiro e a direção vão por caminhos que não fazem muito sentido, com uma galera arrotando caviar e depois dizendo que não tem papel pra limpar a bunda o tempo todo, um protagonista que tem o carisma de um chuchu e “reviravoltas” que a gente já sabe quais vão ser ainda nos créditos iniciais. E a trilha sonora… Eu já falei da trilha sonora? Valhei-me, Deus Pai!

O único lado bom desse filme ter sido lançado aqui é porque, como eu já falei em outras críticas de filmes franceses (“A Mansão“, “Crazy Trips – Budapeste” e “Alerta Lobo“), ele ajuda a desmistificar aquela impressão que temos em terras tupiniquins de que a França só produz filmes altamente intelectualizados, com pessoas sempre fazendo biquinho e ruminando sobre a obra de Sartre e Foucault (Alô, Larissia!). Lá – como aqui, como nos EUA e como no resto do mundo – há uma produção enorme de filmes genéricos, bestas, que nada agregam a porra nenhuma e Paradise Beach é mais um deles.

Apesar de tentar flertar de maneira impossivelmente rasa com a questão da xenofobia, Paradise Beach é só mais um filme que se pretende ser do gênero policial-ação-bandidagem, mas que nem isso consegue ser, prometendo cenas de ação e algum esmero estético, mas entregando muito pouco nesse departamento, o que certamente não é nada salutar para um filme que não tinha absolutamente mais nada para entregar.

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