Duck Duck Goose é a nova animação original Netflix dirigida pelo debutante Christopher Jenkins (que carrega a maior parte de seus trabalhos em efeitos visuais) e conta a simples história de Peng (na voz de Jim Gaffigan), um ganso metidão a gostosão e levemente egoísta, que tem uma namoradinha e que, volta e meia, samba entre os breves conflitos do super protetor pai da “moça”. Porém, toda a harmonia apresentada logo na sequência inicial, de belas paisagens e uma natureza plena, é quebrada quando, no dia da migração das aves, Peng se separa do bando e sofre um pequeno acidente que o impede de voar.

Durante essa jornada, Peng tentará seguir viagem, ainda que sem contar com todos os recursos que sua espécie poderia lhe ofertar. Nesse meio caminho, ele encontra dois patinhos, Chi e Chao (respectivamente por Zendaya e Lance Lim), também perdidos de seu bando. Em uma automática relação de afeto dos patinhos para com o ganso, Chi e Chao começam a chamar Peng de “mãe”. Não sei porque não “pai”, mas “mãe”. Fiquei a me perguntar se seria uma dessas histórias que gostariam de debater sutilmente o tema do “gênero”. Se assim for, não vai muito longe, nada muito além de apenas esse detalhe. O metidão egoísta, a princípio reticente com a calorosa recepção dos patinhos, resolve seguir com eles, passando por várias situações de perigo, em especial encarnadas por um gato à imagem e semelhança de Gollum (do Senhor dos Anéis), com uma dupla personalidade que o faz debater consigo mesmo o que fazer a cada instante.

Peng, Chi e Chao a caminho do Sul.

O gato é o predador desse ganso e toma como algo pessoal a sua caçada. Indo até o Sul, para onde viaja a nova família de espécies diferentes, o vilão vai se fazer presente a cada instante. E é exatamente o vencer cada situação dessas que vai tornando a relação dos patos e do ganso mais concreta. Ali, percebem que juntos podem chegar aonde quiserem; que conseguem ajudar a dificuldade do outro, enquanto se apoiam fielmente. É a típica história que comumente vemos sobre a construção segura e sólida da família.

Apesar de visualmente muito bonito, a narrativa de Pato Pato Ganso não é das mais envolventes, bem como seus personagens, que não carregam grandes características como vemos em várias animações (algumas chegando a eternizar certas personalidades em nosso imaginário). Além disso, as situações pelas quais passam os protagonistas tampouco são memoráveis, fazendo do filme mais um título comum dentro desses universo de produções.

O vilão bipolar estilo Gollum.

Se para crianças a obra pode parecer mais atraente, já que para elas quase todas as situações são novas, para os pais que acompanharem a exibição já não será tão inspiradora. Não é daquele tipo de animação infantil que consegue aprofundar e dialogar diretamente com os adultos. Apesar de tocar no tema da construção familiar – algo muito recorrente entre a maioria dos filmes que se produz – ensinando os pequenos que essa é a principal e mais importante relação que devemos criar, a nova animação Netflix poderia ter tentado voos mais altos, contando uma história um tanto mais memorável.

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