Por mais que eu tente não cair no clichê de comprar histórias e mais histórias de romance dos filmes, tendo em vista minha tendência pessimista sobre tais, vez ou outra aparece uma que me deixa meio boba. Daqueles filmes que quando você acaba de assistir fica entrando em reflexões sobre o amor e essas coisas todas – e nem acredito que estou aqui assumindo isso, o que me faz sentir muito pateta. O fato é que a construção de certos casais nas telas dá vazão pra isso. Conscientemente ou não você acaba meio que desejando encontrar alguém bacana que nem o que assiste, e isso é sinal de que o filme mandou bem na escolha dos atores, assim como na condução do roteiro para os dois serem shippáveis.

Isso é exatamente o que acontece com o casal Abbie (Gugu Mbatha-Raw) e Sam (Michiel Huisman). Há fórmula mais certeira do que meter uma história de amor que data do primário? Imagina que louco e fofinho (na teoria) seria estar com o seu primeiro namoradinho(a) da escolinha? Isso se hoje em dia ele não tiver virado um bolsominion ou… é, basicamente isso. Não acho nenhuma outra palavra que seja justa colocar como opção tão ruim. 

Relationship goals?

Tudo vai de vento em popa na vida do casal: planos pra casamento, parceria top, rotina aprazível e trabalhos nos trinques. Até que Abbie descobre que tem câncer e uma perspectiva não muito boa de melhora. A partir disso, como será que um amor de tantos anos se adaptará a insustentável corrida contra o tempo de uma doença terminal?

Acredito que o amor saudável anda de mãos dadas com a felicidade e, diante de uma situação dessa, se vê diante de obstáculos; afinal, foi tirado da serena zona de conforto que se encontrava. Compreensivelmente a cabeça dos dois é bombardeada por pensamentos excessivos, obsessivos e inseguranças florescem. “Como será o depois? Como será o depois…?”. Abbie, em especial, se vê fixada no futuro que o noivo terá. Em especial na sua hipotética nova namorada – e não digo que ela se atêm a isso de uma maneira possessiva e ciumenta. Não. Através de um gesto de amor genuíno ela quer que ele ache alguém especial. No entanto, ela esquece que ela mesma ainda está bem ali, diante de seus olhos. É então que conflitos entre o desejar o melhor pro outro mas também querê-lo para si surgem, tornando a tarefa de viver o presente paradoxalmente atrelada com planejar o futuro.

Logo as mãos com a felicidade afrouxam entre o casal diante da turbulência gerada por uma ansiedade sobre o momento futuro. Nietzsche nos diz que viver feliz imerso em ambiente de paz é fácin fácin e que isso nem pode ser chamado de felicidade, por que o buraco é mais embaixo mesmo. Ser feliz consiste em resistir apesar de mil merdas acontecendo, encontrar forças pra se reerguer e todo esse discurso. O que não mata, fortalece, já diria ele. Nesse caso mata mesmo, mas até matar dá pra fazer algo a respeito.

Eventualmente há uma tomada de consciência de que o casal está perdendo tempo que não tem e se preocupando com coisas que não são nem problema ainda. Ou seja, no fim das contas, cai na velha história do ser humano que, com ou sem câncer, arruma um jeito cá e lá de desgraçar a própria vida quando podia estar levemente vivendo ela. É claro que tomadas as proporções é mais do que aceitável no caso dos pombinhos que eles inflijam essa exaustão mental em suas próprias vidas.

Fofos.

Por fim, seguindo o clichê que dá certo o filme todo, o amor fala mais alto. É brega demais, eu sei. Mas vai dizer que você aí nunca viveu um segundinho que te faça mandar tudo pro caralho e ir atrás do que te faz feliz. É certo que há vezes que isso é uma tremenda furada e autossabotagem. Mas há outras que é a opção mais sensata, por mais incrível que pareça, e te faz aconchegar no abraço de alguém e respirar com calmaria. Vai saber.

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