O Oscar 2019 já aparece no horizonte e os longas que disputam as estatuetas não param de chegar aos cinemas brasileiros. A bola da vez é indicado em 3 categorias – Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado – Poderia Me Perdoar?. O longa conta a história verídica de Lee Israel, uma escritora de biografias de pessoas não tão famosas assim que envereda para o ramo das falsificações de cartas de celebridades quando sua situação financeira fica calamitosa, sem condições de pagar aluguel e cuidar de seu gato doente.

O longa, vide as indicações, se apoia fortemente nas atuações sólidas da dupla Melissa McCarthy, interpretando a própria Lee, e Richard E. Grant, que interpreta seu amigo e comparsa Jack Hock. Confesso minha surpresa com o papel dramático entregue por Melissa, vide sua filmografia recheada de comédias muito ruins protagonizadas por personagens carismáticos, elementos que passam longe do retrato feito por ela da escritora, que é daquelas pessoas desagradáveis em todos os níveis possíveis e com quem é difícil de se criar empatia. Já Richard tem sua carreira edificada na televisão britânica, em obras que gozam de respeito, como “Downton Abbey” e “Doctor Who”. Sou obrigado a falar que os seus poucos momentos em tela foram magnéticos e conduziram as melhores cenas. Foi um verdadeiro deleite ver Jack Hock com seu charme e lábia encontrando os atalhos para cair nas graças de qualquer um, obviamente tirando proveito disso.

O roteiro, escrito por Jeff Whitty e Nicole Holofcener é preciso e cirúrgico. Você não encontrará aqui qualquer tempo perdido ou artifícios que ludibriem o espectador, contudo, por ser muito conciso, ele acabou não me transmitindo a grandiosidade dupla do que Lee fez. Além de conseguir imitar quase que perfeitamente a forma de alguém se expressar pela escrita, ela operou em larga escala, falsificando mais de 400 cartas. Infelizmente a impressão que o longa me passou foi de ser algo que ela fazia com cunho emergencial e que extraía não muito prazer, o que criou um leve descompasso com o final da obra, que foi muito intenso e tentou se apoiar na trajetória da autora/falsificadora, mas não encontrou um chão tão firme.

O que temos como resultado final é a história ordinária como o de qualquer pessoa que apela para caminhos que, mesmo usufruindo de suas habilidades, não são nobres. Poderia ser um professor de química fazendo drogas? Sim. Poderia ser um escritor de peça que passa a trabalhar com o governo nazista para ter oportunidades profissionais? Também. E assim como Walter White em “Breaking Bad” e Halder em “Um Homem Bom“, Lee Israel é um alvo fácil para olharmos com desdém, mas sem estar em seus pés, como podemos julgá-los?

Os meandros da vida nos levam por caminhos muito tortuosos, assim como Poderia Me Perdoar? te levará, de uma forma leve e eventualmente divertida, por uma história envolvente com atuações seguras. Será que algum Oscar cai na rede? Eu duvido muito, mas fico na torcida por Richard E. Grant.

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