E lá vamos nós novamente com mais uma adaptação de jogos de videogame para o cinema. Para não me estender muito, confira a recente crítica que fizemos sobre o mais novo longa de Tomb Raider, onde discorri, de forma até mesmo caridosa, sobre os porquês das adaptações de games não funcionarem muito bem nas telonas. Dito isso, focarei aqui somente no filme por dois motivos. O primeiro, e mais importante, é a data de lançamento de Rampage para os videogames, 1986. Nessa época, a indústria dos games, além de não estar consolidada, não focava em um público mais adulto. Logo, a narrativa é muito simples, a história rasa e a premissa uma total viagem. Segundo, eu nasci em 1982 e só fui jogar Rampage início de 1990. Praticamente não retenho qualquer recordação além de sair destruindo prédios com monstros gigantes. Aproveitando as ressalvas, esqueça também tudo o que você sabe sobre biologia, física e química. Aqui não há espaço para embasamento científico e isso fica muito claro já no poster do longa.

No que consiste o filme? Simplesmente colocar 3 grandes (ou 4, depende de como você encara um personagem) animais para lutar um contra o outro em uma cidade. Todos esses animais ficaram desproporcionalmente maiores do que a média de suas espécies (como na imagem abaixo) devido ao contato com um agente químico ainda em teste que cai de uma estação espacial que deu perda total. Além de Davis Okoye (Dwayne Johnson), especialista em primatas – e ele mesmo representante de uma das espécies de primatas mais magníficas, o homem -, temos um gorila albino, um lobo e um crocodilo que entram em contato com essa substância, gerando seu tamanho anormal (no caso de Dwayne ainda não sabemos quais substâncias são, impossível um ser humano ficar desse tamanho puro).

E o longa é basicamente isso. Esses seres lutando influenciados por essa substância em Chicago atraídos por uma corporação que só pensa em lucrar com os resultados obtidos com seus experimentos de alteração de DNA. Infelizmente o longa peca grosseiramente em soluções preguiçosas em seu roteiro para justificar atitudes incompreensíveis de alguns personagens, como é o caso de Harvey Russel (Jeffrey Dean Morgan), um representante do governo que mais parece o Negan de “The Walking Dead” (inclusive interpretado pelo mesmo ator), fazendo o que dá na telha como se não respondesse a ninguém. 

Outro ponto negativo são os irmãos responsáveis por criar e atrair os seres para Chicago. São personagens sem qualquer desenvolvimento e totalmente esquecíveis. A motivação e a forma como conduzem a empresa e as crises por eles geradas entra em total dissonância com a urgência e magnitude dos fatos. Você esquece que eles estão no filme até que eles aparecem na telona. Outros filmes que almejam apenas colocar monstros/robôs gigantes saindo na porrada em áreas urbanas pelo menos se dão ao trabalho de criar uma situação plausível, mas aqui não é o caso.

Felizmente o filme consegue te entreter naquilo que ele mais foca, porradaria entre dois primatas gigantescos (ou 1… Dwayne conta ou não?), um lobo porco espinho voador e um jacaré javali 5x maior do que o King Kong albino. A destruição da cidade faz jus as cenas clássicas do jogo e a violência entre esses seres, contra a população e a propriedade pública e privada são excelentes. Acho que nunca vi tanta morte de forma tão brutal em filme de monstros como em Rampage. Bem… olha o nome do filme, né?

Caso você queira esvaziar a cabeça e apenas curtir um bom momento de violência sem ter que ficar pensando muito em como aquilo é possível, essa é a pedida para você.

Sugestões para você: