Se você parar um tempo para ler a minha síntese de “perfil” aqui do site verá que há uma máxima que carrego comigo desde que ouvi da boca do brilhante ídolo Giuseppe Tornatore: “Eu gosto de todos os filmes. Mesmo quando um filme é ruim, eu gosto dele. Eu gosto dos filmes simplesmente pelo fato de eles existirem”. E jamais me trairei nessa convicção. Você nunca me ouvirá falar “não assista esse ou aquele título”. Pelo contrário. Por pior que seja, sempre pensarei que é melhor a existência daquela obra do que ela não ter sido feita. Além dessa, há uma outra máxima que gosto de revisitar constantemente. Esta, porém, já vem da boca do povo, do senso comum: “poucas coisas são tão boas quanto um filme ruim”. No entanto, até para um filme ruim é necessário ter algo de genuíno, ter algo a ser falado. Não à toa, a maior expressão nesse quesito é o inesquecível e “fabuloso” Plano 9 do Espaço Sideral do mágico Edward D. Wood Jr., que já foi contemplado por mim em uma resenha antiga por aqui. Portanto, podemos concluir que, mesmo para ser ruim, um filme tem que ter alguma coisa dentro dele.

Do México, e saído direto na Netflix nesta sexta-feira, apesar de não ser uma produção original do streaming, aparentemente, vem uma BOMBA, mas não no sentido discutido na introdução. É um filme tão sem qualquer sentido de nada, que chega a incomodar pesadamente. Se você gastar um mínimo de tempo e visitar o IMDB deste título verá que não há sequer a sinopse descrita. Muito provavelmente porque descrever a sinopse dessa obra já seria demasiado vergonhoso, visto que ela contaria o filme inteiro. Em uma frase. Vou fazer isso por você, mas não pense que é spoiler, pois não é.

A caminho do camping, o bando de chatos.

Um grupo de amigos CHATOS PARA UM CACETE resolve acampar por um dia numa reserva e lá encontram uma garota solitária, que passará a persegui-los, após dois dos colegas atacarem a menina. É isso, amigo. Nada a mais, nada a menos. Essa é sinopse de Romina (pela inexpressiva Francisca Lozano) e, se você quiser, pode adicionar lá no IMDB. Logo no início do filme, você já sabe o resultado de tudo, pois nos é mostrado o que acontecerá a cada um dos integrantes desse seleto grupo de idiotas. Dessa forma, resta-nos uma só pergunta que nos guiará durante a 1h17 de narrativa: o que levou a estes acontecimentos?

O interesse que faria com que permanecêssemos ligados à obra por esses 77 minutos é, em muito, esvaziado por algumas decisões do diretor Diego Cohen, que parece querer documentar a naturalidade de uma noite de camping entre amigos, mas que gasta minutos preciosos (desses poucos que tem para contar a história) em cenas sem qualquer carga dramática ou valor narrativo. Até mesmo a naturalidade que buscou é prejudicada pela atuação pouco polida de seus atores. Resta que tais sequências se tornam uma filmagem da gritaria de um bando que se zoa a cada instante. O que, de fato, é o que acontece na vida real, mas no Cinema, assim de forma tão bruta, não funciona como tal. Ainda nesse sentindo, a falta de desenvolvimento de personagens, construção de suas personalidades e um mínimo de aprofundamento das características de cada qual evidenciam a ausência de algo a dizer na obra. A conclusão que beira o estúpido é uma tentativa de “surpresinha” só para surtir algum efeito no espectador. Mas nem isso consegue.

Palco das bizarrices.

Apesar disso – e podemos ver na ficha técnica, logo ali acima – Romina é claramente aquele filme independente MESMO, em que seu realizador, Diego Cohen, é responsável por tudo ou quase tudo na obra. O que torna extremamente louvável a sua atitude de pensar e, definitivamente, criar um filme, lutando contra a ausência de recursos. Por pior que o título seja – e é bem ruim, de verdade – Cohen tem um filme em mãos, algo seu, uma criação pessoal. No entanto, seria tão melhor se ele tivesse unido esses esforços e essa galera para fazer algo que realmente quisesse dizer alguma coisa.

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