Esta é a crítica da 2ª Temporada de Secret City e conterá potencialmente spoilers da 1ª temporada. A crítica da 1ª temporada pode ser lida aqui.


Em junho do ano passado a Netflix disponibilizou a 1ª temporada de Secret City com exclusividade ao resto do mundo, mas tratava-se de uma série que fora lançada na televisão australiana ainda em 2016, chegando a nós com 2 anos de atraso. A espera valeu a pena, contudo, com a 1ª temporada entregando um bom thriller-político-criminal com ares de “House of Cards” em uma trama um tanto rocambolesca, mas cuja firmeza do roteiro amarrava tudo no final de forma competente e também deixando claro que a obra se tratava de uma minissérie fechada, que não teria uma 1a temporada.

Ocorre que o seu sucesso mundial foi tamanho que a Netflix, que antes apenas distribuíra a série, resolveu bancar uma segunda temporada, o que, a priori, me deixou com um pé atrás, uma vez que a história da 1ª temporada cabia em si mesmo, trazia um fim à jornada de todos os envolvidos e satisfazia plenamente aquilo a que se propunha. Entretanto, depois de assistir a mais estes 6 episódios de 45-50 minutos da 2ª temporada, sou obrigado a, com um sorriso no rosto, dar o braço a torcer, uma vez que os criadores conseguiram, ainda que de forma um tiquinho forçada, amarrar o roteiro da 1ª temporada nessa segunda e foram capazes de entregar um produto final ainda melhor.

Antes de falar da segunda, façamos uma recapitulação rápida e simples do que é relevante ser lembrado da primeira. Ao final dela, descobrimos que a ministra Catriona Bailey (a espetacular Jacki Weaver) era na verdade uma espiã chinesa instalada nos maiores estratos da política australiana há décadas e a nossa heroína, a jornalista Harriet Dunkley (Anna Torv, permanecendo no tom certo), fora presa por revelar informações confidenciais do governo australiano que tinham justamente a ver com a conspiração envolvendo a China.

Desta vez, Harriet acaba de ser solta em condicional depois de 2 anos presa. Durante esse tempo ela fez amizade – que talvez tenha ou não sido colorida – com a imigrante Mina Almasi, uma personagem que será desenvolvida ao longo desta temporada e que, junto com seu marido, será importantíssima para a trama. De alguma forma (um pouco forçada, é verdade), como é a praxe em obras deste tipo, Harriet é bombardeada de todos os lados com informações que a levam a assumir sua vocação de jornalista investigativa e descobrir podres e conspirações dantescas, oriundas das mais altas posições não só do governo australiano, mas também de vários outros no mundo.

Se na primeira temporada o foco foi a China, nesta agora o foco é os EUA, com uma crítica clara e contundente da subserviência que países aparentemente soberanos, como a Austrália, devem à Trumplândia. Até que ponto uma aliança com eles é benéfica para qualquer outra nação que não eles mesmo? Vale a pena estar em um acordo de pretensa mútua cooperação quando os EUA historicamente só olham para o próprio umbigo?

Mais uma vez se valendo de um roteiro muito bem urdido e com uma quantidade assustadora de elementos – explosão num subúrbio australiano, desvio de armas da forças armadas, conspirações terroristas paquistanesas, uma deputada twitteira, um assassinato no mais alto escalão do governo e um primeiro-ministro que passa a série toda puto da cara porque é sempre o último a saber de tudo e está sendo manipulado de todos os lados -, a série tem um salto de qualidade na direção firme de Tony Krawitz and Daniel Nettheim, além de um elenco que, desta vez, parece estar mais coeso, com destaque não só para as já citadas Torv e Weaver, mas também para o sempre excelente Rob Collins, que já havia feito um trabalho muito bom na 2ª temporada de “Glitch” (resenhada aqui) e aqui se prova novamente.

Temos portanto um excelente e relativamente curto thriller, feito de forma mais do que competente e com um roteiro, ainda que um pouquinho maniqueísta e cheio de siglas de agências do governo australiano que a gente precisa do google do lado pra saber do que se trata, excelente, que vem para trazer uma melhora quanto à 1ª temporada.

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